O embaixador da Holanda em Portugal, Govert de Vroe, elogiou hoje o trabalho das autoridades portuguesas no socorro às 33 vítimas holandesas do despiste de um autocarro na quarta-feira na A22 (Algarve) e que provocou três mortes.

Numa conferência de imprensa realizada na Câmara de Albufeira, depois de participar num “briefing” com todas as entidades que estiveram envolvidas nas operações de socorro, o diplomata disse que as autoridades do reino da Holanda vão aguardar pelo resultado do inquérito que as congéneres portuguesas abriram para apurar as causas do acidente e revelou que o Governo holandês manifestou disponibilidade para ajudar nessa investigação.

Govert de Vroe lamentou a morte de três concidadãos e manifestou o seu pesar às vítimas e famílias, tendo aproveitado o dia de hoje para se reunir com as autoridades lusas que estiveram envolvidas no socorro durante a madrugada passada e visitar os acidentados, tanto nos hospitais como nos hotéis para onde seguiram após terem alta.

“Os relatos que nos deram foram horríveis e muito tristes. Falámos com pacientes no hospital e outras vítimas nos hotéis da região e é difícil imaginar o que passaram”, afirmou o embaixador holandês.


A embaixada está no Algarve a prestar o apoio aos holandeses afetados e a trabalhar, em colaboração com o operador turístico promotor da viagem e com uma organização holandesa denominada SOS, para que estes cidadãos possam ser o mais rapidamente possível repatriados dentro da sua vontade.

“Quero agradecer às equipas de emergência e às autoridades portuguesas pelos esforços realizados e deixar um grande obrigado pelos seus esforços na resolução deste trágico acidente”, disse ainda o diplomata.


Na conferência de imprensa, o diretor de comunicação da Tui para a Bélgica e Holanda, Hans Vanhaelmeesch, considerou que o este foi um “um dia trágico para o turismo, a Holanda e o Algarve”, deu as condolências às famílias enlutadas e assegurou que a empresa fez “tudo o para assistir os turistas” após o acidente.

“Tivemos 15 pessoas a trabalhar nos hospitais, hotéis e onde pudéssemos encontrar as pessoas. E hoje 13”, contabilizou o responsável do operador turístico, elogiando a “atuação muito profissional e organizada dos serviços de emergência”.


Hans Vanhaelmeesch disse sentir-se “reconfortado por saber que nos maus dias é possível contar com tão bons e bem organizados serviços de emergência, a prestar o melhor auxílio possível”.

A Tui esteve hoje em contacto com os feridos e deu-lhes oportunidade de optarem pelo regresso imediato à Holanda, o que aconteceu com quatro pessoas hoje e vai suceder com outras três na sexta-feira.
 

Motorista sem registo de acidentes


Entretanto, o  administrador da EVA Transportes fez saber que o motorista do autocarro está na empresa desde 1990 e não tinha registo de acidentes, até ao momento.

Segundo Carlos Osório Gomes, administrador da empresa que detém a Frota Azul Algarve, a empresa vai abrir um processo interno para averiguar as causas do acidente e aguardar pela conclusão do inquérito desencadeado pelas autoridades.

Em declarações aos jornalistas, aquele responsável acrescentou que a empresa ainda não conseguiu falar com o motorista, de 53 anos, que esteve a ser assistido durante a noite, e que vai aguardar que o seu estado de saúde seja avaliado, ao nível médico e psicológico, para tomar uma decisão.

Carlos Osório Gomes falava à margem de uma conferência de imprensa realizada na Câmara de Albufeira.
 

“É um motorista que entrou na empresa em 1990, tem 53 anos, tem vasta experiência neste tipo de serviços, e que não tem registo de acidentes ao longo da sua carreira que tenham significado”, afirmou Carlos Osório Gomes.


Questionado sobre as causas que poderão ter estado na origem do acidente, o administrador da EVA Transportes, proprietária da empresa Frota Azul Algarve, à qual o autocarro acidentado pertencia, disse que não quer “estar a tirar conclusões” sobre um sinistro “muito recente”.

“Ainda é muito recente e temos que efetivamente ser cautelosos no apuramento das causas do acidente”, respondeu, sublinhando que não tem “informação oficial” sobre um má disposição do condutor ter causado o despiste do autocarro, como chegou a circular no local do acidente na madrugada passada.


Osório Gomes anunciou também que a empresa vai abrir um inquérito interno às causas do acidente e que o motorista terá de ser avaliado antes de ser tomada uma decisão sobre um eventual regresso ao trabalho.

“Ainda não sabemos bem como ele está, é tudo muito recente, ele também esteve no hospital a receber algum tipo de acompanhamento e portanto só há pouco tempo saiu do hospital e ainda é muito cedo para avaliar o impacto psicológico que possa ter havido. Vamos naturalmente sujeitá-lo a um aconselhamento médico da empresa para saber se está em condições de regressar ao trabalho”, afirmou.


Seis das 31 pessoas que receberam assistência médica durante a noite mantêm-se internadas nos hospitais da região, mas apenas uma mulher de 64 anos, internada em Faro, se encontra em estado crítico, apresentando prognóstico muito reservado.

Os turistas voaram do aeroporto de Schippol, em Amesterdão, na companhia Arke Fly, para Faro, onde aterraram às 21:14, e seguiam no "transfer" para vários hotéis da região quando se deu o acidente, junto ao nó de Paderne da Via do Infante (A22).