O ex-presidente da Junta de Benfica, em Lisboa, relatou esta segunda-feira em tribunal que foi agredido com socos e pontapés pelo antigo autarca da junta vizinha de São Domingos de Benfica e por outro arguido, após as eleições autárquicas de 2009.

Rodrigo Silva, de 39 anos, e Pedro Reis, que esta segunda-feira se remeteram ao silêncio no início julgamento que decorre no 6º Juízo Criminal de Lisboa, estão pronunciados por ofensas à integridade física qualificada contra Domingos Pires, que à data dos factos tinha 70 anos e era presidente da Junta de Freguesia de Benfica, eleito pelo PSD.

Também eleito pelo PSD, Rodrigo Silva deixou o cargo de presidente da junta de São Domingos de Benfica em 2013, após ter sido nomeado pelo Governo para adjunto no gabinete do secretário de Estado do Emprego. É atualmente também vice-presidente da concelhia de Lisboa do PSD e deputado na assembleia municipal da capital.

Domingos Pires contou ao tribunal que foi agredido com socos e pontapés pelos dois arguidos quando se dirigia para uma obra da junta de freguesia, na Avenida Gomes Pereira.

«Pararam o carro e nem conversa houve. Mandaram-se a mim. O Pedro Reis agarrou-me por trás, enquanto o Rodrigo Silva deu-me um soco com uma soqueira. Continuaram a dar-me pontapés e murros, e se não fosse a intervenção de pessoas que estavam na paragem de autocarros que vieram em mau auxílio, teria sido muito pior. Eles estavam dispostos a tudo», frisou o ofendido.

O ex-presidente da junta de Benfica, que ocupou o cargo entre 2005 e 2009, sublinhou que sofreu «dor física e moral», além dos vários traumatismos na cabeça, na face e no corpo.

Domingos Pires acredita que o episódio de violência se deveu a questões políticas.

«Essas pessoas ficaram frustradas, pois pensavam que eu ia desistir da minha recandidatura. E se perdi as eleições de outubro de 2009 a culpa não é minha, mas sim de todos eles», defendeu o ex-autarca de Benfica, referindo-se também a outros dois arguidos no processo.

Asdrúbal Silva, irmão gémeo de Rodrigo Silva, e Francisco Barros, este último diretor do «Jornal de Lisboa», uma publicação mensal gratuita, respondem por difamação agravada, por difundirem alegadamente informações e acusações falsas contra o então candidato.

O despacho de pronúncia refere que em períodos que antecederam as eleições autárquicas de 11 de outubro de 2009 «diversas pessoas oriundas de uma outra fação do PSD procuraram por todos os meios demover» Domingos Pires de ser reeleito.

Francisco Barros assumiu perante a juíza que, enquanto jornalista, assinou no «Jornal de Lisboa» um artigo no qual relatava que o então presidente da junta de Benfica recebia supostamente dinheiro da empresa municipal Gebalis sem trabalhar e que estava a ser alvo de um processo-crime por falsificação de assinatura.

«Escrevi o artigo na convicção de que as informações eram verdadeiras e segundo as minhas fontes. Tentei contactar o senhor Domingos Pires, mas não consegui», explicou o diretor.

Francisco Barros negou ter participado na preparação, montagem ou distribuição de um panfleto, no qual estava reproduzido o artigo em causa e que foi distribuído pelas caixas de correio dos moradores de Benfica. Asdrúbal Silva, suspeito de ser o outro responsável pelo panfleto, remeteu-se ao silêncio.

Domingos Pires disse «não ter dúvidas» de que não foi reeleito nas autárquicas de 11 de outubro de 2009 por causa do panfleto, que de acordo com o próprio, se inseriu numa «campanha caluniosa» articulada pelos arguidos para que perdesse as eleições.

O julgamento continua às 13:45 de terça-feira com a inquirição de Pedro Santana Lopes, candidato da coligação PSD/CDS-PP à Câmara de Lisboa, nas eleições de 2009.