O presidente da Câmara de Caminha está «preocupado» com os ataques de um cavalo selvagem que feriu duas pessoas no monte de Santo Antão e garantiu, esta quarta-feira, à Lusa que a proteção civil municipal está a acompanhar o caso.

«A Câmara de Caminha está preocupada com a situação que não é habitual e nada cómoda, com um animal a atacar as pessoas que utilizam aquele espaço de grande beleza. O comandante operacional do serviço municipal de proteção civil está a acompanhar o caso em articulação com as equipas especializadas da GNR», adiantou Miguel Alves.

A GNR anunciou na terça-feira ter localizado o cavalo selvagem no monte da Santo Antão, em Cristelo, junto ao parque eólico de Caminha, onde em pouco mais de um mês atacou duas pessoas.

Miguel Alves adiantou que o comandante operacional da proteção civil municipal, que é também o comandante dos bombeiros locais está a acompanhar a situação desde o início em articulação com o posto local da GNR.

Adiantou que o animal não é avistado naquele local desde domingo, «o que poderá indicar que alguém o possa ter recolhido» depois das notícias vindas a público.

O autarca adiantou que informações recolhidas pelos técnicos municipais «indiciam que o animal terá dono, apesar de não possuir nenhum elemento identificativo».

«Os nossos técnicos falaram com habitantes que residem próximo do monte de Santo Antão e as informações que temos indicam, sem certezas, que o cavalo terá dono. Ou se trata um animal abandonado à sua sorte ou cujo dono não o identifica para tentar passar despercebido tendo em conta os estragos que estes animais causam com frequência», disse.

A primeira vítima do garrano, a 13 de maio, foi uma turista inglesa que passeava naquela zona, que «foi mordida na face mas não quis formalizar uma queixa», disse fonte da GNR, acrescentando que o último ataque registado ocorreu no domingo, quando um homem de 41 anos, praticante de «trail running», residente em Vila Praia de Âncora, foi mordido no ombro.

De acordo com a GNR o cavalo, que «não tem brinco nem qualquer outra marca identificativa», sempre que atacou estava acompanhado de uma égua. Aliás o comportamento agressivo do animal é explicado pelas autoridades pelo fato de sentir que a presença humana representa uma ameaça para a fêmea.

O caso foi comunicado terça-feira à Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) e ao veterinário municipal de Caminha, a quem compete decidir sobre o destino ao garrano.

No dia em que foi localizado pelos militares do Núcleo de Proteção Ambiental (NPA) de Viana do Castelo, na semana passada, o animal além de ter investido contra um dos elementos da patrulha do NPA, o animal atacou um casal de jovens que se encontrava junto à capela situada no monte de Santo Antão, que não sofreu ferimentos porque «conseguiu refugiar-se no interior da viatura em que se fazia transportar».

A Direção Regional da Alimentação e Veterinária do Norte disse à Lusa que compete à Câmara de Caminha, através do veterinário municipal, atuar no caso do cavalo selvagem que já atacou duas pessoas num monte do concelho.

«De acordo com o decreto-lei n.º 276/2001 de 17 de outubro, com a última redação introduzida pelo decreto-lei n.º 260/2012 de 12 de dezembro, é competência das Câmaras Municipais a recolha, a captura e, caso não estejam identificados, o abate compulsivo» explicou fonte daquela entidade contatada pela Lusa.