O número de dadores de órgãos e de transplantes, sobretudo de pulmões, aumentou no primeiro trimestre deste ano, graças a uma maior atenção dos responsáveis hospitalares, disse à Lusa o presidente do Instituto do Sangue e Transplantação.

O aumento do número de dadores e de doações foi, em média, de 14% em relação ao primeiro trimestre do ano passado, avançou Hélder Trindade.

O responsável salientou que este aumento se deveu ao empenho não só dos hospitais, mas também dos coordenadores hospitalares de doação, dos gabinetes coordenadores de colheita e transplantação, além do próprio instituto e ministério da Saúde.

«Toda a estrutura hospitalar começa a estar desperta para um cadáver que poderá ser potencial dador de órgãos antes de ser enterrado e toda a mensagem permite que dentro do hospital quem não esteja ligado a este processo possa estar desperto para referenciar os dadores e não deixar que este se perca», explicou Hélder Trindade, congratulando-se com este dado, que diz ter permitido melhorar a qualidade de vida de centenas de pessoas.

«A transplantação não só permite salvar centenas de vidas por ano mas, principalmente, melhorar a qualidade de vida de milhares de doentes hepáticos, renais, doentes com insuficiências cardíacas e pulmonares e diabéticos», disse.

Para Hélder Trindade, este aumento traduziu-se em «um ganho em saúde, ganho social e um ganho para os doentes, esse é o grande objetivo da transplantação».

O maior aumento de transplante de órgãos foi feito em doentes dos pulmões, sendo que o número de cirurgias deste género cresceu 80%.

No caso dos transplantes de pâncreas, o aumento foi superior a 50%, enquanto os doentes renais viram o número de transplantes subir em quase um terço.

No total, o aumento de transplantes foi de 26% face aos valores registados nos três primeiros meses de 2013.

De acordo com dados do Instituto Português do Sangue e da Transplantação, no final de março, o número de dadores cadáveres tinha subido 14%, traduzindo-se num aumento de 9,5% na zona Norte e de 45% na zona Sul e mantendo-se estável na zona Centro.

Devido ao aumento do número de dadores cadáver, o número de órgãos e tecidos colhidos aumentou cerca de 17% e 8,5%, respetivamente, com mais 34 órgãos e 31 tecidos.

O Centro Nacional de Dadores de Células de Medula Óssea, Estaminais ou de Sangue do Cordão adiantou ainda que, a 31 de março, estavam inscritos 340.958 potenciais dadores, mais 2.669 do que no final de 2013.