A associação ambientalista Quercus registou, no último ano, a morte de 56 animais por atropelamento em apenas dois locais, no concelho de Castelo Branco, que estão sob monitorização dos ambientalistas.

«Estes dados são apenas a ponta do icebergue, pois apenas detetámos parte da mortalidade. Muitos animais são removidos e comidos por outros e uma percentagem significativa, após o atropelamento, acaba por morrer longe da estrada», disse hoje à agência Lusa Samuel Infante, da Quercus.

A associação ambientalista iniciou, no último ano, o registo de mortalidade de animais nas estradas do concelho de Castelo Branco.

Em apenas dois locais monitorizados (junto à ponte do rio Ponsul, na ligação entre Castelo Branco e Malpica do Tejo e no troço junto à Barragem de Santa Águeda), foram registados 56 animais mortos por atropelamento.

Para o ambientalista, estes números «são apenas uma amostra do real impacto dos atropelamentos» na morte de fauna selvagem, com especial destaque para animais como as raposas, lontras, ouriços-cacheiros, texugos, ginetas e fuinhas.

Samuel Infante adiantou ainda que a estes 56 animais mortos juntam-se ainda «várias dezenas de passeriformes répteis e anfíbios».

Nos últimos 15 anos, deram entrada no Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco (CERAS) cerca de 200 animais atropelados.

O responsável pelo núcleo da Quercus de Castelo Branco alerta para a «problemática» dos atropelamentos de fauna selvagem e sublinha que, brevemente, a associação vai divulgar um conjunto de medidas para evitar esta ameaça à fauna autóctone.