O advogado de Luaty Beirão, em greve de fome há 35 dias, reuniu-se com o ativista angolano, na clínica privada de Luanda onde está sob detenção, tendo-o encontrado "lúcido" e "preocupado" com a falta de respostas dos tribunais.

Em declarações à Lusa, Luís Nascimento recordou que há dois recursos a aguardar resposta no caso dos 15 ativistas detidos desde junho - incluindo Luaty Beirão -, nomeadamente alegando excesso de prisão preventiva. Decisões que assume serem esperadas "com expectativa" por Luaty Beirão, que corre risco de vida, e que "podem decidir o futuro" do ‘rapper' angolano, de 33 anos e também com nacionalidade portuguesa.

"Encontrei-o lúcido, ele espera que nada lhe aconteça, mas está um pouco preocupado com a falta de respostas dos juízes. Até a questões de mera aritmética. Saber se há excesso de prisão preventiva é uma questão de aritmética, isso preocupa. Será que se quer resolver o assunto ou que ele se vá, que a culpa morra solteira e que ele seja culpado da própria morte", questionou-se o advogado, após reunir-se na clínica com Luaty Beirão.

O Jornal de Angola afirma este domingo, em editorial, que a recente visita do embaixador português em Luanda ao ativista angolano abriu "um precedente grave". O artigo do jornal estatal, assinado como habitualmente aos domingos pelo seu diretor, José Ribeiro, recorda que sobre "esse cidadão" pendem "acusações gravíssimas" de "envolvimento em atos de perturbação de ordem pública em Angola, no quadro de uma ação mais vasta de transformar o país numa nova Líbia em África".