Mergulhadores da Guarda Civil espanhola encontraram hoje o corpo de um cidadão indonésio, um dos cinco tripulantes desaparecidos depois do naufrágio do pesqueiro português Santa Ana.

O corpo do marinheiro foi encontrado num dos camarotes do navio, 24 horas depois de os mergulhadores terem encontrado, na sala de descanso - entre a cozinha e a sala de refeições - o corpo do galego Lucas José Mayo Abeijón.

Cerca de 30 mergulhadores da Guarda Civil e do Salvamento Marítimo estão a participar nas buscas em torno ao Santa Ana, encalhado numa ilhota próximo de Avilés, nas Astúrias.

Logo depois do naufrágio, na segunda-feira, foram recuperados os corpos do patrão da embarcação, que era português, e do cozinheiro, um espanhol.

Com vida foi resgatado o segundo patrão do pesqueiro, um espanhol de 50 anos, que foi hospitalizado com hipotermia e múltiplas contusões, e que entretanto já teve alta.

Quatro tripulantes - um português, três espanhóis e um indonésio - continuam desaparecidos.

Os mergulhadores conseguiram sexta-feira entrar no pesqueiro, que está afundado numa zona rochosa e com fortes correntes.

Na zona, que hoje de manhã está submersa pela neblina, mantêm-se os meios de busca à superfície com a participação de quatro embarcações de Salvamento Marítimo e uma patrulha da Guarda Civil, além de um helicóptero e de um avião.

interior «totalmente destruído»

Os mergulhadores da Guarda Civil estão a trabalhar no interior «totalmente destruído» e a remover quilos de destroços antes de conseguirem verificar se os tripulantes desaparecidos estão ou não no navio.

«Ainda só conseguimos ver uma parte pequena do navio porque o interior, devido à colisão, está totalmente destruído», explicou à Lusa o capitão Carlos Martínez que coordena a equipa de mergulhadores especializados em espaços confinados e mergulho técnico, do Grupo de Especialistas em Atividades Subaquáticas (GEAS) da Guarda Civil, que estão no local.

«Isto é um navio pesqueiro, com muitas arestas, muitas redes e outros destroços e para ir progredindo no interior temos que ir retirando tudo isto», disse.

Carlos Martínez compara a ação no interior da embarcação à ação depois de um sismo ou do derrube de um edifício.

«Temos que ir tirando escombros, como se fosse um terramoto. Temos uma equipa de mergulhadores que faz uma cadeia humana e vai retirando os destroços a pouco e pouco», disse.

A dificuldade da operação evidenciou-se durante uma das imersões na sexta-feira quando um dos mergulhadores se feriu gravemente na mão e teve que ser hospitalizado.