O naufrágio do pesqueiro «Santa Ana», nas Astúrias, na última segunda-feira, ter-se-á ficado a dever a uma dupla fatalidade que começou num erro de rota, na ordem dos seis graus, logo à saída da ria Avilés. A situação precipitou-se com a falta de reação do comandante do barco aos sinais de colisão iminente, que se terão ativado, com quase toda a certeza, quando a embarcação se aproximou da zona de baixios, próximo da ilha de La Erbosa.

O histórico da navegação mostra que, quando saiu de Avilés, foi fixada uma rota de 45º, que conduziria aos baixios. O barco que fazia parelha com o «Santa Ana», o «Cidade de Albufeira», fixou uma rota de 39º, que lhe permitiu passar frente à ilha La Erbosa com uma margem de uma milha. Enquanto isso, o «Santa Ana» chocava contra as rochas e afundava em poucos minutos.

De acordo com o jornal «La Nueva España», os dados registados pelo Sistema de Identificação Automática (AIS) (um dispositivo eletrónico que transmite em tempo real dados da posição, da rota e da velocidade de embarcações e aviões) mostram que o «Santa Ana» seguiu em linha reta, quando abandonou o porto de Avilés, sem variações de monta ou sem grandes alterações de velocidade. As últimas notas do AIS foram registadas às 05:17 e mostram que não houve redução de velocidade, nem mudança de rota, o que fez com que o barco chocasse com as pedras. Por que razão o comandante não realizou nenhuma manobra na tentativa de impedir o barco de chocar contra as rochas é a questão que agora é colocada.

O «Santa Ana» possuía tecnologia da ponta, que incluíam um navegador de GPS, um radar de colisão e uma sonda de profundidade. O navegador de GPS, por exemplo, pode ser programado para detetar objetos, outras embarcações ou mesmo terra firme a uma distância predeterminada, que habitualmente é fixada nas quatro milhas. No caso do «Santa Ana», essa distância teria sido suficiente para reagir e mudar a rota, impedindo o choque.

Um alarme sonoro e visual é disparado quando a distância diminui drasticamente. De acordo com o «La Nueva España», que ouviu outros comandantes habituados a lidar com embarcações similares, seria impossível não detetar os sinais de alerta, se o piloto da embarcação estivesse na sua posição e em adequadas condições físicas.

Resta saber se a rota foi mal definida por erro humano ou por falha informática.

O acidente fez dois mortos, entre eles um português, cujo corpo deve chegar ao início da tarde a Leça da Palmeira, e seis desaparecidos. Calcula-se que os corpos dos seis homens estejam dentro dos destroços do pesqueiro, no fundo do mar, onde os mergulhadores ainda não conseguiram chegar por causa das más condições do mar.

Esta quarta-feira, uma equipa de 15 elementos do Grupo de Especialistas em Atividades Subaquáticas (GEAS) da Guarda Civil junta-se às operações de busca dos seis tripulantes desaparecidos. Os especialistas, que se juntam aos seis mergulhadores do Salvamento Marítimo já no terreno, são das unidades da GEAS de Madrid, Valladolid, Cartagena, Huesca e Gijón, segundo informou a Guarda Civil em comunicado.