A presidente da Assembleia da República e deputados de todos os grupos parlamentares manifestaram hoje indignação pelo atentado contra a sede do jornal satírico francês Charlie Hebdo, em que morreram pelo menos 12 pessoas.

A presidente do parlamento, Assunção Esteves, expressou, na abertura dos trabalhos parlamentares, «profunda indignação e profundo lamento», afirmando que «os direitos fundamentais resultam da razão e são transversais a todas as culturas».

Assunção Esteves sublinhou que «a liberdade de imprensa tem um valor qualificado» porque «conformas estruturas da democracia».

Na sexta-feira, o plenário apreciará um voto de pesar sobre o ataque de hoje em Paris, mas, disse a presidente da Assembleia, «o parlamento não podia ter aqui uma demora no tempo a algo que chamava a uma intervenção imediata».

O líder parlamentar do BE, que propôs em conferência de líderes hoje de manhã um voto conjunto sobre o ataque, repudiou o «ato bárbaro», que atacou «a liberdade de expressão».

«Na liberdade deles há a liberdade de todas e todos nós», afirmou acerca dos jornalistas, em geral, tendo ainda argumentado pela necessidade de o parlamento pensar «a liberdade e liberdade de expressão» sem ideias como a de «choque de civilizações» e «choque de religiões».

O vice-presidente da bancada do PSD, António Rodrigues, qualificou o ataque de «barbárie», sem «argumentação» ou «defesa», tendo-se iniciado o desenho das diferenças entre os partidos de esquerda e direita que terão que ser tidos em conta na redação do voto de pesar.

«Não podemos ser complacentes com qualquer tipo de radicalismo. Se não há religião no mundo que possa defender isto, também é verdade que este tipo de atos tem crescido», declarou, relacionado o ataque com as decapitações, muitas a jornalistas, pelo autoproclamado Estado Islâmico.

O líder parlamentar do PCP, João Oliveira, expressou depois «preocupação», receando que «o firme combate ao terrorismo, deixe de ser isso mesmo, combate ao terrorismo, e crie mais focos de violência que a ele conduzam».

O PCP expressou «a mais viva condenação ao atentado» e «a todas as formas de terrorismo».

O líder parlamentar do PS, Ferro Rodrigues, expressou «choque, indignação e preocupação» pelos «atos bárbaros» que ofenderam Paris, a União Europeia e «todo o mundo civilizado», considerando que «não pode ser explicado à luz de qualquer ideologia».

«Todos somos o Charlie Hebdo», declarou, sublinhando que «ninguém deve fazer o jogo dos terroristas» e «pôr em causa a liberdade de informação» e as «grandes conquistas civilizacionais».

O vice-presidente da bancada do CDS-PP Telmo Correia sublinhou que o ataque aconteceu «no coração da Europa», num «dos países europeus com a mais antiga tradição de liberdade de imprensa», de «liberdade cultural e de liberdade de expressão».

Telmo Correia defendeu ainda que «não há contradição» entre ser-se «firme no combate ao terrorismo» e aquilo que deve ser a «resposta da tolerância e da chamada superioridade moral das democracias».

Pelo partido «Os Verdes», Heloísa Apolónia condenou o atentado que produziu um «horror absoluto» e afirmou «a defesa da liberdade de expressão, da liberdade de imprensa, das liberdades», desejando a aprovação de um texto comum pelo parlamento na sexta-feira.

Pelo menos 12 pessoas morreram no ataque perpetrado hoje na sede do jornal satírico Charlie Hebdo, no centro de Paris, entre eles o diretor do semanário e três cartoonistas. O atentado foi feito por dois homens armados com uma «kalashnikov» e um lança-rockets.

O jornal Charlie Hebdo tornou-se conhecido em 2006 quando decidiu republicar 'cartoons' do profeta Maomé, inicialmente publicados no diário dinamarquês Jyllands-Posten e que provocaram forte polémica em vários países muçulmanos.

Em 2011, a sede ficou destruída num incêndio de origem criminosa depois da publicação de um número especial sobre a vitória do partido islamita Ennahda na Tunísia, no qual o profeta Maomé era o «redator principal».