A ministra da Agricultura e do Mar, Assunção Cristas, defendeu esta segunda-feira a agregação dos pequenos produtores florestais. Juntos, poderão beneficiar de “apoios significativos”.

“Quanto mais se agregarem os pequenos produtores florestais e aproveitarem os apoios que existem (…), de certeza que mais valor vão poder retirar e, no fundo, […] mais possibilidade têm de poder continuar a investir nessa mesma terra”, afirmou Assunção Cristas aos jornalistas, no Porto, final do seminário “Paper from Portugal”, que decorreu no edifício da Alfândega.

É “muito importante que os produtores florestais se juntem nas Zonas de Intervenção Florestal (ZIF), que são os condomínios na área da floresta, e possam fazer um trabalho agregado e com apoios específicos", adiantou ainda, citada pela Lusa.

No seu discurso, a ministra referiu que os portugueses ainda tratam da sua propriedade de uma forma “altamente individualista”, adiantando que a agregação os beneficiará em termos de apoios no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR 2020).

Os apoios abrangerão áreas como “o aconselhamento florestal”, “a certificação dos povoamentos florestais”, bem como “matérias relacionadas com a comercialização dos produtos”, disse.
 

400 mil produtores em Portugal



A ministra da Agricultura e do Mar salientou a área florestal, que conta com cerca de “400 mil produtores” e “é responsável por uma parte relevante da economia portuguesa, é responsável por uma parte relevante das exportações dos produtos em Portugal, cerca de 10% das exportações de bens são ligados à área florestal”.

Destacando também a importância do setor do papel no país, que conta com “empresas no ‘top 100’ das empresas mundiais, muito competitivas, muito exportadoras, que têm o melhor papel do mudo”, Assunção Cristas referiu ser necessário que “a produção acompanhe” as suas necessidades.

A ministra apelou ainda à necessidade dos produtores papeleiros criarem uma campanha interna que permita “desfazer o mito de que cortamos árvores para fazer papel e com isto desflorestamos”.

“Ficou claro que construímos floresta, criamos floresta, plantamos floresta para esta indústria”


A governante disse ainda crer ser necessário “explicar internamente” que Portugal precisa de ter uma floresta diversificada.

“Há espaço para todas as fileiras”, disse, “apoiamos com fundos comunitários a floresta autóctone, mas também a do pinho e a do sobreiro”, sendo que a fileira do eucalipto “não precisa dos mesmos apoios, mas também tem o seu espaço e deve ter o seu espaço, nomeadamente reconvertendo povoamentos antigos”.

Para a ministra, Portugal precisa que todas as fileiras se “desenvolvam de forma harmoniosa, gerando rendimento para os produtores florestais, que são quem está na base”.