Foi há um ano que o Facebook foi palco de uma campanha onde milhares de pessoas despejaram baldes de água gelada, por uma causa.

Quem não teve oportunidade de participar no Ice Bucket Challenge, que gerou 200 milhões de euros em todo o mundo, usados para encontrar uma cura para a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), pode fazê-lo agora.

Em Portugal, os donativos não foram suficientes para financiar as investigações, e, por isso, a Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica (APELA) vai voltar a lançar o desafio.

Avanços recentes no conhecimento da ELA têm sido atribuídos ao sucesso do Ice Bucket Chalenge, que angariou quase 200 milhões de euros.

O dinheiro conseguido pela campanha viral foi aplicado no projeto “Mine”, que se dedica à pesquisa sobre a doença, a nível internacional.

Contudo, em Portugal, foram angariados somente 200 mil euros, o que não permitiu que a pesquisa prosseguisse.
 

“Parte foi para a sustentabilidade da associação, 50 mil foram direcionados para a investigação do projeto ‘Mine’, que nos outros países já está a decorrer porque conseguiram arranjar as verbas necessárias para isso. Nós não conseguimos ainda”, disse Conceição Pereira, presidente da instituição, à TVI.


A responsável pela APELA garantiu que, mais do que as angariações, o retorno do Ice Bucket Challenge pretende “consciencializar as pessoas, porque continua ainda a haver muito desconhecimento da doença e dos sintomas”.

Uma iniciativa que pode dar frutos, como está a acontecer nos EUA, onde os cientistas podem até já estar perto da cura. As investigações concluíram que os pacientes que sofriam de ELA contêm um aglomerado de uma proteína, a TDP-43, fora do núcleo das células cerebrais. Ainda não se sabe se esta é uma causa ou um efeito da doença.

Nos doentes, a proteína decompõe-se, impedindo-a de ler o material genético que necessita para sobreviver. Como consequência, em apenas alguns dias, a célula acaba por morrer.

Os cientistas introduziram uma proteína que imita o comportamento da TDP-43 nos neurónios de alguns ratos, que retornaram à vida e voltaram a funcionar novamente.

A investigação só foi possível devido ao dinheiro angariado mundialmente pela campanha, que contou também com a participação de várias celebridades.
 

“Sem ele, não teríamos sido capazes de fazer os estudos tão rápido quanto fizemos. Os fundos são apenas uma componente do todo - em parte facilitaram os nossos esforços”, afirmou Philip Wong, membro da equipa de investigação.


Espera-se que a nova campanha tenha o mesmo impacto que no ano passado e que os donativos possam contribuir para a cura da doença, que afeta milhares de pessoas em todo o mundo.