Quem não teve oportunidade de participar no Ice Bucket Challenge, que gerou 200 milhões de euros em todo o mundo, usados para encontrar uma cura para a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), pode fazê-lo agora.

Em Portugal, os donativos não foram suficientes para financiar as investigações, e, por isso, a Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica (APELA) vai voltar a lançar o desafio.

Avanços recentes no conhecimento da ELA têm sido atribuídos ao sucesso do Ice Bucket Chalenge, que angariou quase 200 milhões de euros.

O dinheiro conseguido pela campanha viral foi aplicado no projeto “Mine”, que se dedica à pesquisa sobre a doença, a nível internacional.

Contudo, em Portugal, foram angariados somente 200 mil euros, o que não permitiu que a pesquisa prosseguisse.

 

“Parte foi para a sustentabilidade da associação, 50 mil foram direcionados para a investigação do projeto ‘Mine’, que nos outros países já está a decorrer porque conseguiram arranjar as verbas necessárias para isso. Nós não conseguimos ainda”, disse Conceição Pereira, presidente da instituição, à TVI.

A responsável pela APELA garantiu que, mais do que as angariações, o retorno do Ice Bucket Challenge pretende “consciencializar as pessoas, porque continua ainda a haver muito desconhecimento da doença e dos sintomas”.

Uma iniciativa que pode dar frutos, como está a acontecer nos EUA, onde os cientistas podem até já estar perto da cura. As investigações concluíram que os pacientes que sofriam de ELA contêm um aglomerado de uma proteína, a TDP-43, fora do núcleo das células cerebrais. Ainda não se sabe se esta é uma causa ou um efeito da doença.

Nos doentes, a proteína decompõe-se, impedindo-a de ler o material genético que necessita para sobreviver. Como consequência, em apenas alguns dias, a célula acaba por morrer.

Os cientistas introduziram uma proteína que imita o comportamento da TDP-43 nos neurónios de alguns ratos, que retornaram à vida e voltaram a funcionar novamente.

A investigação só foi possível devido ao dinheiro angariado mundialmente pela campanha, que contou também com a participação de várias celebridades.

 

“Sem ele, não teríamos sido capazes de fazer os estudos tão rápido quanto fizemos. Os fundos são apenas uma componente do todo - em parte facilitaram os nossos esforços”, afirmou Philip Wong, membro da equipa de investigação.

Espera-se que a nova campanha tenha o mesmo impacto que no ano passado e que os donativos possam contribuir para a cura da doença, que afeta milhares de pessoas em todo o mundo.