A Associação Portuguesa de Dietistas (APD) defendeu esta segunda-feira que estes profissionais de saúde têm «as mesmas competências» que os nutricionistas, exigindo um tratamento igual e que a profissão passe a denominar-se dietista-nutricionista.

A Ordem dos Nutricionistas, que atualmente regula as profissões de nutricionista e dietista, iniciou o processo de convergência das profissões, fazendo com que desapareça a de dietista, por proposta do Governo, uma situação já contestada pelos nutricionistas.

A APD defende, em comunicado, que «os dietistas têm as mesmas competências técnicas que os nutricionistas» e pretende «um tratamento pautado pelo princípio da igualdade».

Para expor a sua posição, a associação solicitou uma audiência à Comissão Parlamentar do Trabalho, Segurança Social e Administração Pública antes da discussão da proposta de lei do Governo para alteração dos Estatutos da Ordem dos Nutricionistas, agendada para a próxima sexta-feira, no Parlamento.

Segundo a associação, os dietistas «têm sido alvo de discriminação ativa por terceiros que sustentam que os nutricionistas são os profissionais de referência na área da nutrição e da dietética, dispondo de mais e melhores competências que os dietistas, encetando ações de promoção de emprego no setor público e privado apenas aos nutricionistas».

Defendem que os dietistas licenciados pelo ensino superior politécnico são Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica e os dietistas licenciados pelo ensino superior universitário estão integrados na carreira de Técnico Superior de Saúde.

«A verdade é que a generalidade dos dietistas, mesmo que licenciados, continua integrada na carreira de técnico de diagnóstico e terapêutica», explica a APD.

«Além das consequências em sede de dignidade profissional e económicas, a manutenção do ‘status quo’ em matéria de carreiras públicas tem permitido que a Ordem dos Nutricionistas sustente - erradamente - que os dietistas dispõem de menores competências técnicas face aos nutricionistas, dado que estes são Técnicos Superiores de Saúde», sustenta.

Na passada quarta-feira, cerca de meia centena de nutricionistas e alunos de Ciências da Nutrição manifestaram-se, no Porto, contra a convergência das duas profissões.

A APD diz que não pode concordar com o que está «a ser oficialmente defendido nos protestos, comunicados e testemunhos à imprensa por nutricionistas e estudantes da área», porque «ambas as profissões são iguais».

Segundo dados da associação, existem mais de 900 dietistas em Portugal.

A bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, afirmou no dia do protesto que a fusão das duas profissões é a «melhor solução».

Na opinião de Alexandra Bento, a convergência das profissões garantirá a estes profissionais uma «maior representatividade» no mercado de trabalho e nos órgãos do Governo, conferindo-lhes uma maior força reivindicativa na resolução dos problemas que afetam a classe.

A responsável lembrou que a proposta de extinguir a profissão de dietista, mantendo-se apenas a de nutricionista, foi feita pela Assembleia da República, pelo Governo e pelo provedor de Justiça.