Os portugueses aumentaram o consumo de medicamentos nos primeiros três meses deste ano, mas optaram menos pelos genéricos. Pela primeira vez em 10 anos, a quota de genéricos sofreu uma ligeira quebra: era de 47,3% em janeiro e passou para os 47% em março.
 
Os dados constam de um relatório da hmR, consultora da Associação Nacional de Farmácias (ANF) e dão conta de uma interrupção na tendência de crescimento do mercado de genéricos que se vinha a registar em Portugal: 33,9% em dezembro de 2010, 39% em dezembro de 2011, 45,7% em dezembro de 2013 e 47,2% em dezembro de 2014.
 
Ainda assim, os encargos dos utentes com medicamentos cresceu 7% no primeiro trimestre de 2015, face ao período homólogo de 2014. Nos primeiros três meses deste ano, os portugueses gastaram 355 milhões de euros e compraram 676 milhões de embalagens (um aumento de 3%). Em contrapartida, as despesas do Estado foram reduzidas em 600 mil euros (num total de 295,8 milhões de euros).
 
A ANF aponta para uma falha no regime de incentivos ao consumo de genéricos e lembra o acordo celebrado com o Ministério da Saúde em julho de 2014, que estimava um potencial de 70 milhões de euros de poupança para o Estado e para os utentes. A ANF diz ainda que a Portaria 18-A/2015, de 2 de fevereiro, continua na gaveta.
 
A ANF diz que a portaria “encerra inconsistências técnicas e poderá até penalizar as farmácias que mais estejam a contribuir para o aumento da quota de genéricos”.