Quase metade das 28.069 pessoas que a Assistência Médica Internacional ajudou em 2015 tinham menos de 30 anos, segundo dados da organização, que apontam para uma descida de 6% no número de casos apoiados diretamente.

Apesar da diminuição verificada face ao ano anterior, procuraram pela primeira vez os apoios sociais da AMI, em 2015, 3.775 pessoas, (28% da população total apoiada), segundo o Relatório de Atividade e Contas 2015 da organização.

Os equipamentos sociais apoiaram uma média de 3.909 pessoas por mês, com uma média mensal de 315 novos casos de pobreza.

No total, foram apoiadas 13.604 pessoas diretamente, através destes equipamentos, e 14.465 indiretamente, através da distribuição alimentar a 36 instituições do Grande Porto, no âmbito do Fundo Europeu de Apoio a Carenciados.

A AMI sublinha que a redução no número de apoios “não traduz uma melhoria efetiva das condições de vida da população portuguesa”, nem torna “menos prioritário e necessário o investimento no trabalho social desenvolvido” nas comunidades pela organização.

Como razões para esta diminuição, aponta a criação de outras respostas sociais, como cantinas sociais e campanhas de combate ao desperdício alimentar, “cuja intervenção possui um cariz mais assistencialista e permite dar uma resposta mais imediata ao nível das necessidades mais básicas”.

Poderá também dever-se a uma “maior articulação entre as instituições, o que se traduz num trabalho mais integrado e uma menor duplicação de apoios”, refere a organização, que, desde 1994, já apoiou diretamente 68.092 pessoas em situação de pobreza.

Traçando o perfil da população apoiada, a instituição refere que “sofreu algumas alterações”, mas continua a ser maioritariamente uma população em idade ativa, que se depara com o problema do desemprego.

Os que pedem ajuda são cada vez mais novos: Se em 2008, apenas 30% da população apoiada tinha menos de 30 anos, em 2015, essa percentagem aumentou para os 48%.

Tem vindo também a verificar-se “um aumento significativo” no número de crianças apoiadas, que passou de 15% em 2008 para 30% em 2015.

As pessoas com mais habilitações literárias que pedem ajuda continuam a ser poucas, mas enfrentam uma “situação de grande vulnerabilidade”, que “rapidamente se replica a diversos níveis (necessidades básicas, habitação, saúde)”.

A baixa escolaridade continua a ser uma característica dominante, mas o número de pessoas sem qualquer grau de escolaridade tem vindo a diminuir nos últimos anos, sendo a maioria mulheres.

Segundo o relatório, 64% da população não tem formação profissional e os seus recursos económicos provêm sobretudo de apoios sociais, como o Rendimento Social de Inserção (23%), as pensões e reformas e os subsídios e apoios institucionais (18% cada).

Apesar de 17% da população apoiada ter rendimentos de trabalho, estes são “precários e insuficientes”, havendo ainda 21% que não tem qualquer rendimento formal.

Os utentes dizem que recorrem aos serviços da AMI devido à precariedade financeira (77%), ao desemprego (57%), a uma doença física (22%), a problemas familiares (17%) e a problemas relacionados com saúde mental e a falta de habitação (7% cada).