A CGTP anunciou, esta terça-feira, uma manifestação em frente à Assembleia da República, em Lisboa, no dia da discussão do segundo orçamento retificativo do ano, marcando assim a «rentrée» das ações de luta contra as políticas do Governo.

O Conselho Nacional da CGTP reuniu-se, esta terça-feira, pela primeira vez após o período de férias para analisar a situação do país, definir a sua política reivindicativa para 2015 e decidir ações de luta a desenvolver nos próximos tempos.

No final deste encontro, o secretário-geral da intersindical, Arménio Carlos, disse que foi marcado um plenário nacional de sindicatos para o dia 11 de setembro, que culminará com uma deslocação à Assembleia da República, onde será votada, no mesmo dia, a segunda alteração ao Orçamento do Estado para este ano.

«O orçamento retificativo apresentado recentemente demonstra que o Governo não está vocacionado para inverter as suas políticas, mas, pelo contrário, apostado em aprofundar esta política que continua a fazer dos salários e das pensões dos trabalhadores e dos reformados os seus inimigos principais», afirmou.

Na quinzena entre 23 de setembro e 5 de outubro, a intersindical vai promover, «além de muitos plenários, concentrações e paralisações, também greves e manifestações de algumas das suas organizações», indicou Arménio Carlos.

Entre as principais reivindicações da intersindical está a subida dos salários em pelo menos 3%, adequado a cada um dos setores de atividade, que «assegure, pelo menos, 30 euros por mês aos trabalhadores», e o aumento do salário mínimo nacional para os 515 euros a partir de 1 de junho deste ano (com efeito retroativo), a sua atualização para os 540 euros em 2015 e para os 600 euros no início de 2016.

«É uma proposta justa e possível de concretizar. E relembramos que, contabilizando os 15 euros que os trabalhadores desde janeiro 2011 não recebem [devido à atualização salarial], neste momento os trabalhadores têm um crédito junto dos patrões de 780 euros cada um», sublinhou Arménio Carlos.

Questionado sobre se entre as ações de luta está prevista alguma greve geral, o secretário-geral da CGTP disse que, «para já, [está prevista] a quinzena» de ações.

«Dia 15 de outubro teremos o Orçamento do Estado (OE) para 2015 e depois cá estaremos todos para voltar a analisar e refletir o que fazer», acrescentou o sindicalista.

O líder da CGTP apontou já algumas críticas às «manobras de ilusão» do Governo no documento do próximo ano: «Todos os dados que temos disponíveis apontam para uma manutenção de impostos [atualmente cobrados] e a preparação de novos impostos, logo mais sobrecarga fiscal sobre os trabalhadores e as famílias», disse.

O sindicalista mostrou-se «muito preocupado» com o aumento da carga fiscal sobre o consumo e a redução da Taxa Social Única (TSU), por «trazer consequências inerentes para a Segurança Social», com a introdução de impostos no âmbito da reforma da fiscalidade verde.

No caderno reivindicativo da CGTP está ainda a exigência do regresso do abono de família e a luta contra a precariedade e pela contratação coletiva.