Os trabalhos do plenário da Assembleia Legislativa da Madeira foram esta terça-feira interrompidos depois de uma mulher na galeria ter exibido um cartaz exigindo que o líder parlamentar do PSD, «Jaime Ramos, pague o que deve».

O presidente do Parlamento, Miguel Mendonça, pediu a presença da PSP para evacuar a galeria e interrompeu a sessão por cinco minutos, depois de Sandra Barroso ter repetido em voz alta o pedido: «Pague ao meu marido o que deve. Isto está em tribunal».

Sandra Barroso explicou aos jornalistas que Jaime Ramos «não está a cumprir» um acordo judicial celebrado para regularizar uma dívida na ordem de 60 mil euros por incumprimento de um contrato de arrendamento comercial de uma loja em Chelas, arrendada em 1999 para um stand de automóveis (União Rent a Car), sendo credora por rendas em atraso.

«Foi feita uma penhora às contas bancárias da empresa no âmbito da qual conseguimos 5.000 euros, ainda depositaram mais mil euros com receio, só que eles devem ainda cerca de 60 mil euros», disse.

O líder parlamentar do PSD-Madeira, Jaime Ramos, já desmentiu ter a dívida de 60 mil euros que lhe foi exigida por uma mulher na galeria do parlamento madeirense, levando à interrupção dos trabalhos do plenário.

«É mentira, mentira, mentira», afirmou Jaime Ramos aos jornalistas no intervalo do plenário, numa curta declaração, adiantando que «hoje vai entrar no tribunal um processo contra quem divulgar» esta situação.

«Não devo nada a ninguém, graças a Deus!», assegurou.

Os trabalhos parlamentares foram interrompidos quando decorria a interpelação ao deputado social-democrata Pedro Coelho, na sequência da declaração política do dia, um discurso de despedida, pois toma posse a 18 de outubro como presidente do município de Câmara de Lobos, durante a qual fez uma «reflexão» sobre os resultados das autárquicas de 29 de setembro.

Segundo Pedro Coelho, este ato eleitoral «mudou significativamente o mapa do poder autárquico» e o PSD-Madeira foi penalizado pela insatisfação manifestada contra as políticas da coligação PSD/CDS a nível nacional, perdendo sete câmaras na região, mas «continua a governar 32 das 54 freguesias da região, sendo o partido mais votado».

O ainda deputado considerou que «a única força que viu duplicar dimensão nestas eleições foram os votos brancos e nulos», uma situação quedefendeu dever ser objeto de análise.

Na qualidade de autarca eleito, assegurou que as propostas válidas da oposição «serão analisadas» no município de Câmara de Lobos, sustentando que os outros partidos deverão evitar a «política de terra queimada» e respeitar também o PSD nos concelhos onde o partido detém a maioria.

Pedro Coelho apontou que o CDS-PP apenas teve uma vitória, em Santana, e desvalorizou os resultados do PS, visto que em alguns casos integrou coligações, como no Funchal, S.Vicente e Santa Cruz.

O líder parlamentar do PS, Carlos Pereira, opinou que o resultado eleitoral demonstra que os madeirenses estão «perante o tempo novo» e representou «um terramoto de 7.4 do jardinismo».