Um dos dois arguidos acusados de ter estrangulado até à morte uma mulher em Torres Vedras para lhe roubar os cartões de crédito e respetivos códigos e de a ter incendiado confessou hoje os crimes em tribunal.

Perante o tribunal de júri na primeira sessão do julgamento, o homem explicou que não teve intenção de matar a vítima, mas antes «pregar-lhe um susto» pelo facto de esta andar a revelar que ele se prostituía, confessando assim os factos da acusação.

Segundo a acusação, os dois arguidos, de 32 e 26 anos e de nacionalidade brasileira, foram a casa da vítima para se apropriarem de dinheiro que sabiam que ela teria, uma vez que estavam ambos desempregados.

Ao mesmo tempo, disse em tribunal que a sua companheira, arguida no processo, que assistiu aos factos, não teve qualquer participação nos crimes de homicídio e profanação de cadáver, limitando-se apenas a efetuar alguns levantamentos bancários com os cartões da vítima.

De acordo com a acusação, a pretexto de a arguida comemorar o seu aniversário, combinaram os três um encontro na casa da vítima, onde o arguido começou a agredir a vítima, amarrando-lhe os braços e as pernas até aquela ceder a dar os cartões de crédito, respetivos códigos e peças de ouro.

Após estar inanimada, os arguidos cobriram-na com cobertores, almofadas e peças de vestuário, ateando-lhe fogo.

Durante o interrogatório, o homem adiantou ainda que manteve a arguida sob sequestro, ameaçando-a de que poderia pôr os seus filhos em perigo, para não ser denunciado às autoridades, sem contudo convencer o coletivo de juízes.

No julgamento, um inspetor da Polícia Judiciária explicou que a «vítima teria alguma robustez física, motivo pelo qual o arguido não podia tê-la dominado sozinho» e que, aquando da detenção, não houve indícios de que a arguida estaria a ser coagida pelo companheiro.

Por sua vez, a mulher optou por não prestar declarações, depois de na fase de instrução ter requerido a sua não pronúncia pelos factos de que está acusada.

Ainda de acordo com a acusação, ambos puseram-se em fuga e fizeram diversos levantamentos de dinheiro em caixas multibanco na Amadora, Torres Vedras, Nazaré e Leiria no valor total de 1.690 euros, gastando o dinheiro em proveito próprio.

Ambos são acusados dos crimes de homicídio qualificado, profanação de cadáver, roubo, burla informática e dano e incorrem ainda na pena acessória de expulsão do país.

Ambos foram localizados e detidos em Coimbra a 13 de julho, um mês depois dos crimes, no decurso de uma investigação da Polícia Judiciária.

O julgamento prossegue na sexta-feira de manhã.