Três homens foram esta terça-feira condenados a penas efetivas entre os seis e os nove anos de prisão por roubarem relógios de luxo a automobilistas que circulavam em várias artérias da cidade de Lisboa.

Na leitura do acórdão, o coletivo de juízes da 6.ª Vara Criminal de Lisboa, presidido por Helena Susano, referiu terem ficado "provados todos os factos" constantes da acusação do Ministério Público, não "havendo dúvidas de que os arguidos perpetraram os crimes".

Os três cidadãos, que estão em prisão preventiva ao abrigo do processo, respondiam por dezenas de crimes de roubo e de falsificação de documentos praticados entre 23 de julho de 2012 e 14 de março de 2013, dia em que foram detidos em flagrante delito pela PSP, no túnel do Marquês de Pombal.

Os delitos foram praticados nas zonas das Amoreiras, Marquês de Pombal, Avenida Fontes Pereira de Melo e Saldanha, em Lisboa.

As penas impostas aos arguidos variam entre os quatro e os 39 anos de prisão, tendo o tribunal aplicado, em cúmulo jurídico, as penas únicas de nove, sete e seis anos de cadeia.

«A intensidade do dolo, a insegurança que provocaram na sociedade, o facto de não reconhecerem que cometeram os crimes e a premeditação dos mesmos, quando ainda se encontravam em Itália, são fatores que agravam a pena. O facto de não terem antecedentes criminais pesou a favor dos arguidos», justificou a presidente do coletivo de juízes.

Dois dos envolvidos terão ainda de pagar mais de 33 mil euros a uma das vítimas.

O tribunal manteve a medida de coação de prisão preventiva.

À saída das Varas Criminais, Melo Alves, advogado de dois dos arguidos, escusou-se a prestar declarações, dizendo apenas que «vai pensar» se recorre ou não da decisão.

Em julgamento, os ofendidos relataram que os agressores, usando motociclos, empurravam o espelho retrovisor dos carros e, no momento em que tentavam recolocar o espelho, eram agarrados no pulso, de onde os suspeitos arrancavam os relógios, avaliados em milhares de euros.

Os homens são oriundos de Nápoles, Itália, país de onde viajavam propositadamente para a capital portuguesa a fim de praticarem os delitos.

Segundo o despacho de acusação do Ministério Público (MP), os arguidos «transportavam de avião os motociclos utilizados nos assaltos e alugavam viaturas para se deslocarem e não serem localizados».

O suposto plano prosseguia depois na «perseguição dos lesados ao longo de várias ruas e avenidas de Lisboa ou na abordagem brusca das vítimas em centros comerciais ou parques automóveis, obrigando-os a entregarem relógios de valor elevado», alguns acima dos 30 mil euros.