O Tribunal de Estarreja começou hoje a julgar três homens, com idades entre os 29 e 43 anos, presumíveis autores de roubos violentos ocorridos no ano passado em residências de idosos, que deixaram a população em sobressalto.

Os crimes ocorreram em dezembro de 2012 e tiveram como alvo duas residências em Salreu e uma terceira em Avanca, no concelho de Estarreja.

Na primeira sessão do julgamento, só um dos acusados aceitou falar ao tribunal, confessando ter participado apenas num dos assaltos, juntamente com o arguido mais novo.

Questionado pelo coletivo de juízes, o suspeito disse ter pensado que a casa estava desabitada, adiantando que ele e outro assaltante, quando se aperceberam da presença de pessoas dentro da habitação, saíram para o exterior e meteram-se no carro com os objetos roubados.

A caminho de casa foram mandados parar por uma patrulha da GNR na Estrada Nacional n.º 109, em virtude de uma infração de trânsito cometida naquele momento, tendo os guardas apreendido os objetos que se encontravam na mala, por suspeita de serem provenientes de furtos.

Ainda durante a manhã, o tribunal ouviu um inspetor da Polícia Judiciária (PJ) explicar que chegou até este grupo, na sequência de uma investigação a vários assaltos a residências de idosos que ocorreram durante aquele período, na mesma zona geográfica.

De acordo com o inspetor, a forma de atuar era sempre a mesma. «Todos os assaltos tinham em comum a violência exercida sobre as vítimas, no sentido de as manietar», afirmou.

Segundo a PJ, os detidos «surpreendiam as vítimas quando estas se encontravam a dormir, agredindo-as violentamente, caso a sua presença fosse detetada, e, de seguida, amarravam-nas e amordaçavam-nas, de forma a impedir qualquer resistência da parte delas ou que gritassem por socorro».

Dois elementos do trio foram identificados após uma denúncia à GNR e o terceiro elemento foi identificado pela PJ devido à análise de uma pegada recolhida num dos assaltos.

Os arguidos estão acusados de crimes de roubo e furto qualificado. Um dos detidos também responde por um crime de condução sem habilitação legal.

Os alegados assaltantes, que se encontram em prisão preventiva, atuavam com luvas e gorros, para ocultar o rosto, e usaram, em algumas situações, uma pistola e armas brancas ou instrumentos semelhantes.

Os ladrões levaram dinheiro, peças em ouro e prata e relógios, além de outros artigos, incluindo uma gaiola com um papagaio.

No despacho de acusação, o Ministério Público diz que os arguidos «exploravam a debilidade física dos idosos, colocando-os numa situação que os impossibilitasse de resistir».