Por: Redacção / CP | 12- 8- 2008 17: 1
Teresa Paiva era uma das clientes que estava na dependência do BES no momento do assalto e acabou por se tornar refém dos
assaltantes. Esta terça-feira, a neurologista e professora universitária questionou as condições de segurança dos bancos,
informa a Lusa.
«Pelo número de assaltos e diversidade dos bancos assaltados, estou em crer que o problema é geral,
e por isso mesmo o suscito», afirmou. No caso particular do BES, apenas existiam dois funcionários e um sistema de vigilância
mas que não é visionado em tempo real. O alerta foi feito por uma cliente que levantava dinheiro no Multibanco e não pelos
mecanismos próprios do banco.
«A situação da precariedade em termos de segurança de um local, onde, por definição,
se guarda dinheiro, e onde pomos o nosso próprio dinheiro, põe em risco a integridade psicológica e física dos funcionários
e dos clientes bancários, o que contradiz em absoluto a imagem de segurança que os bancos pretendem transmitir», declarou.
O
objectivo de falar sobre este episódio é suscitar um debate construtivo na sociedade sobre a segurança nas dependências bancárias:
«Fala-se muito sobre a actuação da polícia mas não se discute o papel do banco».
O relato da experiência
Teresa
Paiva relatou que se dirigiu àquela dependência para fazer um depósito sem se ter apercebido que a mesma estava a ser assaltada.
«Quando entrei o assalto estava a decorrer. Vi que o banco estava vazio e vejo um homem de óculos escuros dirigir-se a mim.
Pensei que era um segurança que me vinha proteger, mas na verdade era um dos assaltantes [Nilton Souza], que me amarrou as
mãos e me virou contra a parede», contou.
Segundo a médica, quatro clientes ficaram de mãos atadas virados para a
parede e todos foram resgatados ao mesmo tempo: «A polícia entrou no banco e o assaltante que estava a tomar conta de nós,
enquanto o outro estava na caixa forte com a gerente, apontou a arma ao sub-gerente e deixou-nos sair».
Teresa Paiva
lamenta também que, sendo ela cliente do BES, não tenha sido até à data contactada pela instituição, nem mesmo pelo seu gerente
de conta. «Sou cliente e esperava algum apoio e não recebi qualquer contacto de ninguém».
O assessor do BES disse
que «ninguém pode questionar a segurança do banco». «Aquela dependência tem os mesmos standards de segurança das outras»,
frisou Paulo Padrão. Relativamente à falta de contacto do BES com os clientes que foram vítimas do assalto, a instituição
bancária refere que não estava em condições de saber quem eram: «Só poderíamos saber se os funcionários os identificassem,
mas era demasiado exigente estar a pedir-lhes que o fizessem, depois daquilo tudo e no meio de todas as outras».
Falta
de apoio psicológico
A médica diz não ter sido contactada para ser acompanhada psicologicamente e acredita que
o mesmo terá acontecido aos restantes reféns. Dias depois do assalto, Teresa Paiva continua a ter dificuldades em dormir,
sente-se cansada e tem suores frios.
«Sinto que estou lenta do ponto de vista cognitivo e só ontem (segunda-feira)
é que fui capaz de pensar objectivamente. Estou a melhorar e quero ficar boa, mas as minhas filhas apanharam um susto», disse.
«Mas
alguém se propôs a dar qualquer apoio aos quatro reféns clientes? À senhora de 52 anos que teve uma crise de pânico, a qual,
durante bastante tempo antes da chegada do INEM, foi apoiada por mim? Alguém deu apoio psicológico ao cliente, cidadão brasileiro,
que, natural de uma das cidades mais violentes do mundo, nunca tinha vivido nada assim? Alguém deu apoio ao outro refém que,
numa ida rápida ao banco tinha deixado o carro com os quatro piscas ligados?», questionou.
Na sua opinião, tem de
haver uma regulamentação sobre o apoio às vítimas deste tipo de assaltos violentos para que em situações futuras seja accionado.
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