Por: Cláudia Lima da Costa | 6- 11- 2009 18: 51
É um dos grandes compositores do Brasil, mas confessa-se mais português que brasileiro. Esta quinta-feira, Ivan Lins
pegou no talento e na fama e levou-os a um dos bairros problemáticos da grande Lisboa: a Cova da Moura. Foi na «favela» portuguesa
que o músico diz ter começado um novo «projecto de vida», anunciou que vem viver para Portugal e prometeu cantar com os seus
amigos no bairro.
A visita foi combinada à «última hora», mas para Ivan Lins deu frutos. «Este vai ser o projecto
da minha vida a partir de hoje», confessa o autor dentro de uma das principais salas da Associação de Solidariedade Social
do Alto da Cova da Moura (ASSACM) que desde de 1980 apoia a comunidade de seis mil pessoas. A pequena encosta da Amadora,
composta sobretudo pela comunidade cabo cabo-verdiana, cresceu com a forma de «favela», o que a distingue dos restantes bairros
sociais na área metropolitana de Lisboa.
Fascinado com Portugal, o músico brasileiro não deixou de «abraçar» a comunidade
e projectar para o bairro uma «escola de arte», como explicou ao tvi24.pt: «Conseguir trazer para o Alto Cova da Moura
uma escola de música, uma escola de arte. Não só de música, mas também de Ballet, teatro e conseguir formar uma orquestra
sinfónica aqui».
Ivan Lins explica como surgiu a ideia: «Foi quando conversei com Manuel Ferreira que apoia os projectos
desta comunidade. A primeira coisa que me passou pela cabeça foi fazer este projecto à semelhança do que já existe no Brasil.
Vamos tentar juntar pessoas, grupos privados. Vamos começar com uma consulta à Fundação Montepio. Acho que realmente é um
projecto de vida que tenho».
«Canta uma música»
O cantor visitou a ASSACM e foi recebido com entusiasmo
pelas crianças. «Canta uma música», pediu um dos jovens. Ivan não se fugiu ao desafio e depressa cantarolou «Madalena» para
o encanto dos mais novos.
A vinda de Ivan Lins à Cova da Moura foi apadrinhada pelo gerente do balcão do Montepio
da Damaia, Manuel Ferreira, que juntamente com o cantor e a associação tentam lançar o projecto no bairro. «Nós estamos a
começar a concretizar. Com todos os conhecimentos que tenho, vamos tentar arranjar projectos e eventos para conseguir fundos»,
adiantou Ivan Lins.
«Vou trazer os meus amigos para cantar de graça»
O projecto deu hoje os primeiros
passos e apesar das dificuldades, o compositor brasileiro garante que tudo fará para fazer do sonho uma realidade. «Os concertos
são o mais importante. Para gerar fundos e conseguir verbas necessárias para os projectos prioritários, primeiro os daqui:
criar mais postos de saúde, melhorar as instalações e dar assistência à comunidade. Essa é a prioridade número um e vamos
tentar conseguir fundos para isso através de espectáculos. Vou tentar trazer aqui os meus amigos para cantarem de graça».
Questionado
sobre as diferenças entra a realidade portuguesa e brasileira, Ivan Lins explica que «são comunidades carentes em todo o mundo.
Acho que aqui pode-se criar uma grande visibilidade para que sirva de exemplo para outras experiências no mesmo sentido».
«Mais português que brasileiro»
De coração aberto a Portugal, o brasileiro confessa que já comprou
casa em Lisboa e que viver em Portugal é um dos seus objectivos de vida. «Tô querendo [viver] mais aqui, que no Brasil. Já
tenho uma vida muito pronta no Brasil. Estando em Portugal, estou na Europa. Tenho a minha música internacionalizada e estando
aqui é mais fácil me envolver e cantar para outras pessoas, outros povos».
Sobre o amor às terras lusitanas, o autor
de «Lembra de mim», explica o que sente: «Portugal é a minha segunda pátria. Tem momentos que eu ando aqui nas ruas de Lisboa
e me sinto mais português que brasileiro, mas é uma coisa muito particular minha, de formação».
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