A Associação Sócio-Profissional Independente da Guarda (ASPIG/GNR) avançou que há cerca de dois mil processos disciplinares ou de averiguações que são levantados anualmente a militares da GNR, a maioria decorrente da atividade operacional.

Cerca de 95 por cento dos processos levantados resultam em suspensão ou repreensão do militar, disse o presidente da ASPIG, José Alho, numa conferência de imprensa para denunciar o caso do vice-presidente da associação, tenente-coronel Medina da Silva, que já foi alvo de um inquérito, dois processos disciplinares, transferência de unidade com exoneração de funções e um processo na Polícia Judiciária Militar, que ainda decorre.

Em causa estão declarações proferidas por Medina da Silva, que se encontra atualmente de baixa psiquiátrica, aos órgãos de comunicação social, enquanto dirigente associativo.

José Alho considera que a função das associações socioprofissionais da GNR pode estar colocada em causa, pretendendo o comando-geral da GNR que estas apenas tenham «um caráter deontológico e cultural» e deixem de defender os interesses dos militares.

«Em Portugal há quem seja punido por ser dirigente sindical», disse, adiantando que o vice-presidente da ASPIG está a ser alvo de «represálias», como cita a Lusa.

O caso remonta a 2013 e a GNR ainda era comandada pelo tenente-general Newton Parreira, por isso, com as mudanças no comando, o presidente da ASPIG esperava que o caso fosse arquivado pelo atual comandante-geral da Guarda Nacional Republicana, mas tal não aconteceu e foi retomado.

Na conferência de imprensa marcaram presença dirigentes de outras associações socioprofissionais da GNR e de sindicatos da PSP para manifestarem solidariedade.

Em maio deste ano, também o presidente da Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), César Nogueira, foi suspenso com 25 dias, com perda de vencimento e suplementos remuneratórios, por declarações proferidas à imprensa.