Os cidadãos sírios que chegaram a Lisboa na passada segunda-feira e ficaram retidos no aeroporto devido à posse de passaportes turcos falsos, terão pago cerca de cinco mil dólares (três mil e seiscentos euros) pelos documentos a uma rede de imigração ilegal, avança o jornal «i» esta quinta-feira.

A maior preocupação das autoridades nacionais, neste momento, é a possibilidade de existirem radicais entre os 74 refugiados que pediram, entretanto, asilo político a Portugal.

A investigação sobre a identificação dos sírios está a ser partilhada pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e a Polícia Judiciária (PJ). Já se sabia que Portugal não seria o destino final do grupo, mas segundo avança o «Jornal de Notícias», o desejo dos refugiados era ficarem no aeroporto de Munique, na Alemanha. Lisboa seria apenas uma escala técnica, mas o fato do SEF ter detetado os passaportes falsos mudou o rumo da viagem.

Além de descobrirem os todos os custos envolvidos «no pacote» oferecido pela rede ilegal, as autoridades portuguesas também querem saber onde os cidadãos sírios arranjaram o dinheiro para a viagem.

O processo de análise ao pedido de asilo deverá demorar um a dois meses, já tinha avançado esta semana Teresa Tito Morais, presidente do Conselho Português de Refugiados.

Após suspender os voos entre Bissau e Lisboa, a TAP já fez saber que está disponível para devolver o dinheiro pago por quem comprou bilhetes para voar de Portugal ou desejava ir em sentido inverso. A transportadora continua à procura de alternativas para quem tinha viagem marcada para hoje.

«Quem pedir o reembolso do bilhete, terá o dinheiro de volta imediatamente», garantiu à Lusa o porta-voz da companhia aérea. Em declarações ao jornal «Público», António Monteiro, porta-voz da TAP, disse que, todas as semanas, eram transportados 520 passageiros em cada um dos sentidos.

Quem não gostou da decisão da transportadora foi o Governo de transição da Guiné-Bissau. O porta-voz do executivo, Fernando Vaz, terá mesmo dito que este ato, unilateral, pode custar à empresa a autorização para voltar a voar. «Não sei se alguma vez voltará a voar para a Guiné», afirmou ao «Público».