A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) e o Corpo Nacional de Polícia de Espanha apreenderam cinco toneladas de material contrafeito, cujo valor de mercado ronda os 1,3 milhões de euros, conforme anunciado esta segunda-feira. 

Os dados sobre a Operação Globo, que envolveu uma estreita colaboração entre a ASAE e o Corpo Nacional de Polícia de Espanha, foram divulgados numa conferência de imprensa, realizada em Castelo Branco.

Segundo o inspetor responsável pela unidade nacional de investigação criminal da ASAE, Domingos Antunes, durante a operação foram realizadas cinco apreensões (duas em Portugal e três em Espanha) de material contrafeito, sobretudo rolamentos destinados à indústria aeronáutica, automóvel e naval, que atingiram a cinco toneladas e cujo valor de mercado ronda os 1,3 milhões de euros, como apurou a Lusa.

"É preocupante a falsificação, mas também é preocupante a fraude. O que temos aqui na nossa presença são produtos que são adquiridos sem o consumidor ter a consciência de que eles são falsificados", referiu o inspetor da ASAE.


Este responsável explicou ainda que a informação contada nas caixas dos rolamentos apreendidos induz o consumidor que está na presença de um produto original, quando não o é.

A operação teve início a 19 de março, com uma inspeção da ASAE a um importador e distribuidor com sede em Loures, que contou com a presença de peritos de uma das marcas de rolamentos em causa.

"A partir daí, tivemos a informação de que, a 24 março, chegaria outra importação. Rapidamente conseguimos estabelecer contacto com Espanha [Corpo nacional de Polícia], informando que iria entrar no porto de Barcelona uma importação de rolamentos", adiantou.


Após várias diligências, no dia 16 de abril a ASAE desencadeou uma nova inspeção à empresa de Loures, desta vez com a presença de peritos alemães, para identificação dos produtos em causa e, no dia seguinte, o Corpo Nacional de Polícia espanhola intercetou a mercadoria no porto de Barcelona, inviabilizando a entrada do material em Espanha e, consequentemente, em Portugal.

Domingos Antunes explicou ainda que foi identificada a origem da empresa, com sede em Hong Kong, que produzia os rolamentos e que os enviava via marítima através de Espanha e posteriormente, seguiam por via terrestre para Portugal.

Segundo este responsável, a Operação Globo resultou de uma partilha de informação, mas sobretudo com um canal técnico informal de cooperação policial.

"O facto é que através desta proximidade e desta relação com a polícia espanhola, que nos permite partilhar informação online, conseguimos estes resultados, impedindo a introdução no mercado e recolhendo este tipo de produtos falsificados. No espaço de um mês conseguimos interromper um circuito de importação que julgamos que já dura há algum tempo", concluiu.


O inspetor-geral da ASAE, Pedro Gaspar, sublinhou também que quando se fala de contrafação a imagem que as pessoas têm é de peças de roupa e outros acessórios.

"Mas, também estes rolamentos aplicados na indústria automóvel, aeronáutica, ascensores e outros estão aqui. Consequentemente está não só aqui um problema económico e também um problema muito sério de segurança dos equipamentos", disse.


Por seu turno, Hector Garcia, do Corpo Nacional de Polícia de Espanha, referiu que esta não é a primeira operação em que cooperam com a ASAE e sublinhou que é fundamental esta colaboração.

"Trabalhando juntos podemos fazer frente a este problema", concluiu.