O presidente da ANA - Aeroportos de Portugal admitiu, nesta segunda-feira, a adoção de medidas adicionais para controlo da avifauna devido às árvores previstas no projeto da Câmara de Lisboa para a Segunda Circular, mas recusa “alarmismos injustificados”.

“É evidente que em termos de controlo da avifauna podemos ter algumas preocupações, mas que já existem hoje. As zonas verdes em volta do aeroporto já são suficientemente importantes para serem fator de preocupação”, afirmou Jorge Ponce de Leão, em declarações à agência Lusa, à margem de um debate sobre o tema promovido pela Assembleia Municipal de Lisboa, num hotel da cidade.

De acordo com o responsável, “não é a eventual carga de vegetação adicional que vai transformar profundamente uma preocupação” que já existe e que já leva a ANA a “tomar medidas de segurança para controlo da avifauna”.

“Penso que estes assuntos devem ser tratados com a ponderação necessária, sem alarmismos por vezes injustificados, e muitas vezes utiliza-se determinado tipo de pretextos quando o que está causa são outras razões”, frisou.

Jorge Ponce de Leão assegurou que a gestora dos aeroportos está atenta “a tudo aquilo que possa representar e pôr em causa” a segurança aérea, afirmando, porém, que não há “nenhuma violação das normas das servidões aeronáuticas”.

Não há nada “que nos dê legitimidade para uma intervenção a dizer que [o projeto] não pode ser feito”, reforçou.

Falando também à Lusa, o presidente da empresa controladora de tráfego aéreo NAV, Luís Coimbra, apontou que na Portela pode sempre haver incidentes com pássaros, nomeadamente na primavera e no verão, mas o número não é representativo.

A título de exemplo, indicou que em 2015 foram registados sete “incidentes que provocaram danos nos aviões”, num total de 160 mil operações.

“Não vemos grande inconveniente na solução”, assegurou.

Entre as plantações previstas no projeto, no separador central e na zona envolvente, contam-se cerca de oito mil árvores - 100 junto ao Aeroporto da Portela -, o que motiva a preocupação de associações do setor da aviação.

Mais crítico é o vereador centrista na Câmara de Lisboa, João Gonçalves Pereira, para quem o projeto levanta “muitas dúvidas”.

O autarca espera agora que as “deficiências deste projeto” sejam corrigidas na versão final, após a intervenção ter estado em consulta pública até à passada sexta-feira.

De acordo com o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, verificaram-se cerca de 400 contributos nessa consulta, que “estão a ser ponderados neste momento”.

“São muito diversificadas as questões apresentadas”, disse, explicando que “algumas são por falta de informação, outras são perfeitamente pertinentes”.

“Há as pessoas que acham que devíamos ter ido mais longe, que devíamos ter posto um transporte público em sítio próprio e pistas cicláveis, há quem ache que não, que deve ser considerada como uma via rápida, e portanto é tudo isto que tem de ser avaliado”, adiantou.

Tendo o intuito de melhorar a fluidez do tráfego e conferir mais segurança à Segunda Circular, a maioria PS na Câmara de Lisboa propôs-se a requalificar a via, o que passa por diminuir em 10% o tráfego de atravessamento, através da reformulação de alguns acessos e dos nós de acesso, e por reduzir a velocidade de 80 para 60 quilómetros/hora.

O município quer também criar um separador central maior e arborizado, reduzir a largura da via da direita, montar barreiras acústicas (reduzindo o ruído em 50%), reabilitar a drenagem e do piso e renovar a sinalética e a iluminação pública (permitindo uma quebra de 60% no consumo).