O temporal do fim de semana deixou um rasto de destruição na Mata Nacional do Buçaco, tendo provocado a queda de mais de 30 árvores, algumas delas centenárias, e destruído caminhos e trilhos turísticos.

A chuva que caiu sem parar ao longo de dois dias e o vento forte derrubaram árvores, comprometeram os trabalhos em curso na reabilitação das casas de turismo em espaço rural, arrastaram taludes e criaram novas clareiras nos 105 hectares da mata, que ainda não conseguiu recuperar dos elevados prejuízos financeiros e ambientais provocados pelo ciclone Gong (janeiro de 2013) que destruiu 40 por cento da floresta, e da tempestade Stéphanie (fevereiro de 2014).

Segundo um membro da Fundação Mata do Buçaco, na Cruz Alta tombaram um aderno centenário e um medronheiro de porte arbóreo também centenário - símbolo da mata climácica e famoso pelas suas propriedades medicinais - que terá sido furtado logo após a sua queda, segundo a mesma fonte.

No Vale dos Abetos, meia dúzia de árvores de grande porte tombaram com a força do vento e da chuva, deixando um rasto de destruição.

Noutro ponto da floresta, um cedro do Buçaco (Cupressus lusitanica), de grandes dimensões, caiu e acabou por arrastar uma série de outras árvores, provocando uma clareira que, segundo os técnicos da Fundação, implicará uma "intervenção mais cuidadosa depois de todo o material lenhoso e vegetal ser removido.

"Em dois locais distintos do Vale dos Fetos, a queda de árvores de grande porte, embora não tivesse destruído na totalidade nenhum dos fetos arbóreos (Dicksonia antarctica), originou importantes danos nas folhas e flandres destes", segundo relato dos técnicos.

O Vale dos Fetos é um dos espaços mais procurados da Mata Nacional do Buçaco, que só em 2015 recebeu 230 mil visitantes, segundo dados oficiais.

A Fundação não avança com uma estimativa financeira dos prejuízos, mas garante que tudo será restabelecido a muito curto prazo, prometendo empenhar toda a equipa técnica florestal na reabilitação dos locais mais afetados.