Perto de 50 pessoas ocupam a sala de entrada do Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado (MNAC-MC), em Lisboa, concretizando «a ocupação 'artivista'», na inauguração da instalação multimédia de Rui Mourão.

O artista incitou esta sexta-feira os convidados da inauguração da sua mostra «Os Nossos Sonhos Não Cabem Nas Vossas Urnas», no MNAC-MC, a participar numa ocupação pacifista da instituição.

«Estamos aqui em ocupação 'artivista' do Museu Nacional de Arte Contemporânea. Estamos a ocupar o Museu em defesa do Museu e não contra o Museu», disse o artista, na abertura da exposição, que procura demonstrar que o protesto político também é arte.

A ação de protesto é feita «em defesa do direito à Cultura», explicou à Lusa, Rui Mourão.

As pessoas, munidas de sacos-cama, como num acampamento, realizaram uma assembleia que votou pela continuação da sua presença nas instalações do museu, que se encontra fechado.

Numa sequência de diálogo com a assistência, o diretor da instituição, David Santos, disse que esta não era «uma ação correta» e afirmou que o artista tinha quebrado a confiança.

No início da sessão, o diretor do MNAC-MC dissera à Lusa que não estava a ver o seu museu ocupado. «Tratando-se de uma exposição de Rui Mourão, seria de estranhar que não houvesse nada», afirmou David Santos, enquadrando o protesto «numa reflexão que é absolutamente admissível e dentro de uma lógica artística».

Com a instalação multimédia «Os Nossos Sonhos Não Cabem Nas Vossas Urnas», o artista tem por objetivo demonstrar que as novas formas de protesto político, no espaço público, se cruzam de «forma significativa» com a arte.

No início da sessão, Rui Mourão exigiu «mais dinheiro para a área cultural, artística e patrimonial».

«Politicamente, enquanto público e enquanto criadores de cultura, estamos verdadeiramente indignados - muito indignados mesmo - com a desvalorização a que estão votados os museus, as bibliotecas, os arquivos, o teatro, o cinema, a dança, a ópera, as artes visuais, o património cultural deste país e a sua criação contemporânea», afirmou Rui Mourão.

A instalação multimédia de Rui Mourão, que vai ficar patente até 28 de setembro, reúne dez «'performances artivistas' ocorridas em Lisboa entre 2009 e 2013, como uma única composição», e «metáfora da esfera pública», disse o artista à Lusa, quando da apresentação da mostra.