A Delegada de Saúde Regional do Algarve nega a existência de um surto de tuberculose no hospital de Portimão. O Presidente do Conselho Nacional de Enfermagem da Ordem dos Enfermeiro denunciou ontem que 10% dos enfermeiros do serviço de urgência teriam a doença. 

“Não existe nenhum surto de tuberculose, nem qualquer ameaça de Saúde Pública, quer para os profissionais de saúde do hospital de Portimão quer para a população em geral”, garantiu a delegada de saúde Ana Cristina Guerreiro num comunicado enviado à agência Lusa.

“Existe apenas um caso confirmado e declarado no SINAVE (Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica) de Tuberculose Pulmonar, diagnosticada em maio de 2015, já em tratamento”, esclareceu a responsável da ARS do Algarve, acrescentando que existe um segundo caso, “ainda não confirmado analiticamente”, mas também já em tratamento preventivo.

Ana Cristina Guerreiro insistiu que nenhum destes casos reporta a Tuberculose Pulmonar Multirresistente, como foi afirmado, “erradamente”, pelo Presidente do Conselho Nacional de Enfermagem da Ordem dos Enfermeiros, nas declarações feitas na quinta-feira à Lusa.


"Desnecessário alarmismo"


Já em agosto, o Sindicato de Enfermeiros tinha denunciado à mesma agência de notícias a existência de casos de tuberculose no hospital de Portimão e acusado o Centro Hospitalar do Algarve de não cumprir totalmente as regras de segurança no trabalho, apontando como um "problema" a inexistência de um quarto de isolamento, designado por quarto de pressão negativa, que permita conter possíveis surtos contagiosos, procedendo-se atualmente o isolamento de doentes com tuberculose ou outras doenças contagiosas no serviço de urgência com uma cortina.

Na altura, o CHA explicou que, "por absoluta falta de condições, nomeadamente perigoso afastamento do núcleo central do Serviço de Urgência, nunca ou muito raramente este espaço terá servido para internamento de doentes, funcionando, na prática, como armazém de material clínico".

“Os alegados casos, divulgados pela Comunicação Social no passado mês de agosto, são Tuberculoses Latentes”, informa agora a ARS, acrescentando que, apesar de fazerem tratamento profilático, não são doentes, nem são, portanto, contabilizados em termos de incidência, pelo que a dimensão do problema não constitui uma ameaça à Saúde Pública”.

A ARS do Algarve afirma que “compreende a preocupação” do presidente do Conselho Nacional de Enfermagem da Ordem dos Enfermeiros, mas adverte que estas afirmações “sem confirmação” prévia junto das entidades competentes e responsáveis, “apenas fomentam um desnecessário alarmismo social junto da população”.

Por seu lado, o Centro Hospitalar do Algarve, também sublinha, em comunicado, que as declarações do presidente do Conselho Nacional de Enfermagem são “irresponsáveis e alarmistas”, contribuindo para gerar na população uma “desconfiança infundada” relativamente aos serviços de saúde.
.