A procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, defende que a investigação no caso Centeno foi feito de forma "adequada" e que o arquivamento seguiu "a tramitação habitual". Este caso incidiu sobre alegados benefícios em troca de bilhetes para um jogo de futebol do Benfica- FC Porto.

Os inquéritos são abertos porque se consideram que há noticia de crimes, faz-se a investigação que se considera adequada, há uns que pela natureza da própria matéria em causa são mais curtos e há outros mais longos".

À margem do XI Congresso do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, Joana Marques Vidal respondeu assim às críticas feitas nos últimos dias de vários quadrantes da sociedade portuguesa, assegurando, contudo, e citada pela Lusa, que "o que é certo é que são feitas diligências que levam a que o magistrado que tem o processo considere que o final é aquele".

"É a tramitação habitual dos casos", apontou, salientando ao mesmo tempo que o despacho "é consultável".

Uma nota da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa refere que "a instauração de processo-crime" neste caso foi ordenada no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa "na sequência da publicação nos órgãos de comunicação social de notícias sobre a solicitação de bilhetes para assistência a jogo de futebol no dia 1 de abril de 2017 em tribuna presidencial".

Segundo tais notícias, no mesmo período temporal, veio a ser concedida uma isenção de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) a um familiar do presidente do clube que tinha oferecido os bilhetes ao ministro das Finanças".

Magistrados do Ministério Público fizeram, há uma semana, buscas no Ministério das Finanças.

A atuação do MP neste caso mereceu uma série de críticas de vários quadrantes. Ontem, na TVI24, a ex-ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite classificou de "lastimável" a forma como tudo se processou. "Dá a sensação que se reage da mesma maneira sendo um caso muito grave ou um caso que não interessa a ninguém". "Há uma suspeição permanente sobre tudo, sobre qualquer coisa que mexa", criticou.

Paulo Rangel (PSD), Fernando Rosas (BE) e Pedro Silva Pereira (PS) também criticaram a atuação do MP.