Um edifício em Cabo Verde, desenhado por portugueses, está entre os vencedores do Prémio Internacional Archdaily Building of the Year 2015, anunciado na quinta-feira. O Edifício Sede do Parque Natural da Ilha do Fogo foi vencedor na Categoria «Cultural Buildings». 

Ironicamente, com a erupção vulcânica naquela ilha, no final do ano passado, o edifício foi destruído, atribuindo ainda «mais simbolismo» a esta nomeação, como defenderam os criadores em declarações à TVI24, pouco antes de saberem que tinham sido premiados, 

«Vemos o fato de sermos finalistas como um reconhecimento da qualidade da arquitetura portuguesa» refere um dos arquitetos,  André Castro Santos.


O Edifício Parque Natural do Fogo foi inaugurado em março de 2014, mas ficou destruído em Novembro pelo vulcão adormecido há 19 anos e que afetou aquela ilha de Cabo Verde. Custou dois milhões de euros e «sobreviveu» apenas sete meses.


«Esta sede serviria para que o Parque Natural tivesse alguma infraestrutura que não tinha até à data, para ter técnicos a monitorizar, não só o vulcão, mas todas as espécies de fauna e flora do local», explica André Castro Santos.

No projeto da Sede do Parque Natural do Fogo foram concebidos espaços de trabalho, espaços de lazer e espaços culturais para os habitantes e para os visitantes. «A importância deste edifício era enorme para que eles pudessem dar um pulo enquanto parque natural», adianta o arquiteto.

O edifício foi construído numa das zonas mais pobres de Cabo Verde, em área protegida e de interesse nacional. Neste local, conhecido por Chã das Caldeiras, a 1800 metros de altitude, habitava uma povoação com cerca de 1200 pessoas, que se dedicavam essencialmente à agricultura.

O facto de ser uma zona sem eletricidade, água, ou infraestruturas algumas elevou o desafio. O projeto foi, por isso, um edifício «off-grid», ou seja, completamente autossuficiente, que reciclava e captava as águas das chuvas que eram dirigidas para depósitos, e depois de filtradas e introduzidas na rede do edifício.

Inaugurado em março de 2014, foi construído utilizando técnicas e materiais locais. O material mais emblemático e que mais se destacava era a textura do edifício, constituída por blocos de cimento tradicionais usados em África. Foi  ainda misturada lava do vulcão com cimento para que o edifício estivesse integrado na paisagem e aparentasse ser de pedra.

A equipa que levou avante este projeto foi constituída por André Castro Santos, Miguel Ribeiro de Carvalho, Nuno Teixeira Martins e Ricardo barbosa Vicente, do atelier português OTO. Este grupo de arquitetos foi contactado pelo site Archdaily, a fim de introduzir a obra na categoria «Cultural Buildings« da competição, a  única realizada por portugueses entre os mais de três mil projetos a concurso.

Fundada em 2008, a Archdaily é a maior plataforma de arquitetura da atualidade e todos os anos nomeia os melhores projetos de arquitetura a nível internacional em diversas categorias.