O arquiteto Siza Vieira formalizou, esta quarta-feira, a doação de 40 projetos à Fundação de Serralves, no Porto, deixando aberta a possibilidade de doações adicionais àquela instituição.

Durante a assinatura da escritura, que decorreu no atelier de Siza Vieira, o arquiteto sublinhou que vão estar em Serralves os dois projetos “mais representativos e procurados em termos de consultas” no Porto, que são o do museu de Serralves e o da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto.

“Na escolha que se fez procurou-se não cair nessa coisa limitada de ‘os do Porto ficam no Porto’, ‘os de Lisboa ficam em Lisboa’. Em relação aos outros procurou-se que em qualquer uma destas instituições haja projetos diferentes. Quanto aos internacionais, a maioria fica no Canadian Centre for Architecture (CCA)”, afirmou Siza Vieira, que classificou a entidade canadiana como o melhor arquivo de arquitetura do mundo.


O presidente da Fundação de Serralves, Luís Braga da Cruz, realçou que, entre as cláusulas da escritura, é aberta “a hipótese de outros projetos mais recentes que não foram ainda objeto de tratamento arquivístico poderem vir a ser objeto de contratualização com Serralves”.

Segundo Braga da Cruz, vai ser constituída uma base de dados com todos os documentos que passam a estar na posse de Serralves, interligada com os materiais que vão estar na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e os do CCA.

Siza Vieira sublinhou que um dos pontos mais relevantes desta distribuição foi o fomento dos protocolos entre as três instituições escolhidas para acolher os seus arquivos, sem deixar de lembrar as críticas de que foi alvo pela opção do CCA.

“No início ouvi críticas, quando vieram as primeiras notícias de que arquivos iam para o Canadá, quase acusando-me de traição lesa-pátria, mas o objetivo não era esse”, disse o prémio Pritzker.


Serralves recebe assim projetos assinados por Siza Vieira que vão desde 1954 (quatro habitações em Matosinhos) até 2007, com o pavilhão multiusos de Gondomar.