A arquiteta portuguesa Inês Lobo foi distinguida com o Prémio ArcVision - Women and Architecture, um galardão internacional no valor de 50.000 euros instituído há dois anos pela multinacional italiana Italcementi Group.

De acordo com a Archdaily, uma plataforma online internacional dedicada à arquitetura, o galardão consiste ainda num estágio de quinze dias no centro de investigação da multinacional, em Bergamo.

Entre os dez membros do júri estavam Kazuyo Sejima, um dos membros do atelier SANAA de arquitetos japoneses, que já receberam o prémio Pritzker, considerado o Nobel para a arquitetura, e Martha Thorne, diretora do Pritzker.

O júri considerou Inês Lobo uma arquiteta «versátil», cujo trabalho já lhe criou uma reputação de «atacar criativamente problemas arquiteturais numa grande variedade de escalas no tecido urbano».

No sítio online da Archdaily surge uma reação da arquiteta portuguesa, que se mostra «surpreendida» com a distinção: «É realmente um prémio importante, com uma visão internacional, e também porque sublinha que ainda é difícil ser mulher e ser arquiteta».

«Fico contente por receber o prémio numa altura em que se celebram os cem anos do nascimento de [Achilina] Bo Bardi», arquiteta modernista italiana, nascida em Roma em 1914, que viria a falecer em 1992 no Brasil, onde deixou diversos projetos, entre eles a sede do edifício do Museu de Arte de São Paulo (MASP).

«Há cem anos, era ainda mais difícil ser arquiteta», comentou Inês Logo nas declarações à Archdaily, acrescentando que vai dedicar o prémio «a todas as pessoas que fazem crer que a arquitetura é uma maneira poderosa de construir um mundo melhor para todos, independentemente de serem homens ou mulheres».

Inês Lobo estabeleceu-se em atelier próprio em 2002, depois de ter colaborado com o arquiteto João Luís Carrilho da Graça, entre 1990 e 1996, e com o arquiteto Pedro Domingos, entre 1996 e 2001.

Formada na Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa, em 1989, lecionou a disciplina de projeto desde então, sendo atualmente professora convidada no curso de arquitetura na Universidade Autónoma de Lisboa.

Inês Lobo tem desenvolvido projetos em diferentes áreas de trabalho, desde a construção de equipamentos e habitação à requalificação de edifícios e espaços públicos.

Entre outros projetos, assinou a requalificação da Escola Secundária Dr. Mário Sacramento (2010), em Aveiro, a reutilização da Escola Secundária Joaquim Carvalho (2008/09), na Figueira da Foz, e a reutilização da Escola Secundária Avelar Brotero (2007/08), em Coimbra.

Em 2012 foi comissária geral da representação de Portugal na Bienal de Arquitetura de Veneza, e em 2009 participou na representação oficial portuguesa na Bienal Internacional de Arquitetura em São Paulo, no Brasil, escreve a Lusa.