incêndio que está a lavrar em S. Pedro do Sul, distrito de Viseu, provocou ferimentos graves num sapador florestal do agrupamento de empresas papeleiras AFOCELCA.

A vítima faz parte de um contingente de homens que estava a combater as chamas na serra da Arada, tendo sido transferido do Hospital de Viseu para os Hospitais da Universidade de Coimbra, dada a gravidade do seu estado.

Fonte da Unidade de Queimados do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) disse esta noite, à agência Lusa, que o sapador florestal sofreu ferimentos graves e está com “prognóstico muito reservado”, sem adiantar “mais indicações”.

Cinco aldeias em alerta

Cerca de 25 pessoas foram retiradas de quatro aldeias em São Pedro do Sul, por causa dos incêndios, com algumas a serem encaminhadas para casa de familiares, havendo outras cinco aldeias em alerta, adiantou o presidente da câmara.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara de São Pedro do Sul, Vítor Figueiredo, adiantou que foi necessário evacuar as aldeias de Fujaco e Açores, no concelho, por volta das 19:00, tendo sido retiradas 15 pessoas, que foram encaminhadas para o Centro Social do Sul.

De acordo com Vitor Figueiredo, a maior parte destas pessoas foi posteriormente levada para casa de familiares, havendo apenas duas pessoas que continuam no centro social.

O autarca adiantou que foram depois retirados cerca de dez habitantes de Posmil e de Sá, que foram encaminhados para o Centro Social de São Martinho das Moitas.

Vitor Figueiredo disse que estas quatro aldeias já não estão ameaçadas pelas chamas, ao contrário das povoações de Pesos, Oliveira, Sul, Leiradas e Aldeia, cuja situação é mais preocupante e estão, por isso, em alerta, apesar de ainda não ter sido necessário retirar os habitantes.

Incêndios preocupam

Quinze incêndios ativos, em Portugal, cinco deles a merecer maior preocupação, e o de Arouca, que chegou a São Pedro do Sul, continua a ser o que mais preocupa a Autoridade Nacional de Proteção Civil, disse este sábado o comandante operacional nacional.

Em declarações aos jornalistas, numa conferência de imprensa na sede da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), o comandante operacional nacional, José Manuel Moura, adiantou que existem atualmente, ao nível dos incêndios florestais, 247 ocorrências, que envolvem 4.700 operacionais, mais de 1.200 meios técnicos, existindo 71 missões com meios aéreos.

Destas centenas de ocorrências, José Manuel Moura adiantou que 15 estão ativas e, entre estas, há cinco a merecer uma maior preocupação, nos distritos de Aveiro, Viana do Castelo, Vila Real e Santarém.

O incêndio que afeta o concelho de Arouca, na localidade de Janarde, é aquele que mobiliza mais meios no terreno. Às 22:50 ainda tinha, no terreno, 784 operacionais apoiados por 231 veículos.

Este incêndio lavra desde segunda-feira e chegou a ser considerado dominado no início da noite de sexta-feira, mas voltou a estar ativo.

Aliás, em São Pedro do Sul, as chamas não estão a dar descanso. Várias casas já arderam e pelo menos 12 pessoas ficaram desalojadas. Algumas aldeias ficaram cercadas pelas chamas. Este incêndio é o que começou em Arouca e alastrou a outros distritos.

José Manuel Moura revelou também que chegaram este sábado a Portugal os dois aviões Beriev russos, acrescentando que vão ser usados a partir de domingo, provavelmente em São Pedro do Sul.

O que merece preocupação maior, pelo envolvimento de operacionais, é ainda a ocorrência de Arouca, que, apesar de já ter estado dominado no final do dia de ontem [sexta-feira], teve uma reativação e uma orientação para São Pedro do Sul”, adiantou.

De acordo com o responsável, no combate a este incêndio estão mais de 700 operacionais, com recurso a 200 veículos e sete meios aéreos, seis dos quais aviões tipo Canadair.

É um combate que se está a revelar muito difícil e é a ocorrência neste momento a merecer a maior preocupação”, revelou.

Além do incêndio em Arouca, as outras ocorrências que neste momento mais preocupam a Proteção Civil são as de Albergaria e Sever do Vouga, no distrito de Aveiro; Ponte de Lima, no distrito de Viana do Castelo, Alijó, distrito de Vila Real, e Salvaterra de Magos, em Santarém.

“Mantemos ativos 31 grupos de reforço balanceados do centro e sul do território nacional, a norte do Mondego, 32 pelotões militares e seis máquinas de rasto militares, temos o empenhamento da cooperação internacional, com dois Canadair de Marrocos, um de Itália, dois espanhóis, além dos três da Proteção Civil”, adiantou o responsável.

Questionado sobre para onde serão enviados os dois aviões russos que chegaram hoje, o comandante operacional nacional disse que será para a ocorrência que merecer maior preocupação, mas ressalvou que essa avaliação será feita durante a noite e que a decisão será tomada durante a madrugada.

A julgar pelo estado que temos a esta hora, tudo indicará que seja para São Pedro do Sul”, apontou.

Relativamente ao cenário expectável para os próximos dias, o responsável disse que se mantém o risco de incêndio, e que não há nenhum desagravamento até segunda-feira, dia 15, mantendo-se o estado de alerta especial ao nível laranja.

Quanto aos planos de emergência, José Manuel Moura disse que o plano distrital de Viana do Castelo já não está ativo, mantendo-se o do distrito de Aveiro e alguns municipais, como Águeda ou Arcos de Valdevez.

Questionado sobre os aviões C130 da Força Aérea e sobre se seriam vantajosos no combate aos incêndios, o comandante operacional nacional escusou-se a fazer qualquer comentário, dizendo apenas que essa tipologia não faz parte do dispositivo.

 

Incêndio na Calheta foi dado como em “estado de resolução”

A ilha da Madeira, bastante fustigada pelos incêndios desde segunda-feira, o incêndio que lavrava na Calheta foi dado como em “estado de resolução” durante a última noite, segundo o serviço de proteção civil local.

As previsões meteorológicas indicam que até domingo haverá um aumento da temperatura, que pode atingir os 29/31 graus na costa sul da Ilha da Madeira.

Devido à situação dos incêndios que fustigam a Madeira desde segunda-feira, foi acionado, na terça-feira, o Plano Regional de Emergência de Proteção Civil.

Os incêndios na Madeira começaram na freguesia de São Roque, no Funchal, e alastraram-se a outras zonas do concelho, provocando três vítimas mortais, cerca de mil desalojados temporários, mais de duas centenas de imóveis foram destruidos ou afetados e há avultados danos materiais.