O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, classificou esta terça-feira a prova de avaliação dos professores como «uma aberração» que reflete «a prepotência do Governo» e a «falta de respeito» pelos professores e sindicatos.

Arménio Carlos falava à porta da Escola Básica 2.3. Quinta de Marrocos, em Benfica, Lisboa, onde está a decorrer uma reunião sindical e marcada uma prova para cerca de 50 professores, que decorre, pelo menos, em algumas salas.

«Estamos perante uma aberração e a aberração é esta prepotência do Governo ao tentar persistir numa coisa recusada pela generalidade do povo português», disse o secretário-geral da CGTP.

Para Arménio Carlos a realização desta prova é «uma falta de respeito perante os professores e simultaneamente perante os sindicatos», porque «não é assim que se promove o diálogo social, com medidas desta natureza».

O líder sindical disse que a resposta que os docentes podiam dar no dia de hoje está patente na forte participação nos plenários que estão a decorrer nas escolas e «na recusa de grande parte dos professores» convocados para vigiar as provas.

«Pode dizer-se que este Governo e o Ministério da Educação e Ciência (MEC) estão chumbados», declarou o sindicalista.

O dirigente da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Manuel Grilo, que hoje esteve a dinamizar o plenário sindical na escola da Benfica disse que «se a prova se realizar fora da lei serão retiradas todas as consequências jurídicas».

Manuel Grilo acrescentou ainda sobre a reunião nesta escola que «a sala está cheia e com um conjunto muito grande de professores vigilantes». A adesão dos professores ao plenário demonstra, segundo o sindicalista, «uma grande elevação ética dos professores».

Mário Nogueira esclareceu hoje que, das providências cautelares que foram entregues pela Fenprof para tentar travar a prova de hoje, apenas uma foi indeferida, a do Porto. Segundo o responsável, nos casos das providências cautelares apresentadas em Lisboa, Beja e Coimbra «o Ministério da Educação foi citado, ou seja, foram aceites e o ministério tem dez dias para deduzir oposição».

«Ao ser citado, a execução do ato fica suspensa. O ministério, para hoje realizar a PACC, terá até às 10:30 para apresentar a resolução fundamentada nos tribunais alegando o interesse público», explicou.

O ministro da Educação, Nuno Crato, disse que apresentou na segunda-feira resoluções fundamentadas sobre as providências cautelares relativas à prova de avaliação de professores impostas pela Fenprof, assegurando que o exame não está suspenso.

Em declarações à rádio TSF, Nuno Crato respondia desta forma ao secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, que disse que o ministério tinha até às 10:30 de hoje para apresentar estas resoluções.