Artigo atualizado às 12:26

O Tenente-coronel Leonel Martins do Exército, especialista em armas químicas, afirmou à rádio «TSF» que existem riscos no transbordo de armas químicas e que o maior deles está na possibilidade de derrame dos «agentes químicos». Por isso, a forma como «estão contentorizados» será uma peça importante em todo o processo.

Fonte do ministério da Defesa explicou à TVI24.pt que o assunto ainda está «na tutela da diplomacia», não há uma «decisão oficial» por parte do Governo e, por isso, as Forças Armadas não se querem pronunciar sobre o assunto. Além do mais, por enquanto, apenas existe a possibilidade do transbordo acontecer nos Açores.

Fonte da Marinha explicou à TVI24.pt que a acontecer o transbordo este terá certamente a participação das autoridades portuguesas que poderão ser, entre outras, a proteção civil e as forças de segurança. Referindo apenas um ponto de vista hipotético, a mesma fonte explicou que num caso destes, por exemplo, «o navio teria de ser escoltado» até ao porto e seria também necessário a criação de «um perímetro de segurança».

Recorde-se que foi conhecido na terça-feira que as autoridades norte-americanas contactaram Portugal para avaliar a possibilidade de realizar o transbordo de material químico proveniente da Síria num porto nos Açores, mas ainda não houve decisão.

Em comunicado enviado à Lusa, o Ministério de Negócios Estrangeiros explicou que Portugal foi um dos países contactados pelos Estados Unidos da América, que «procuraram apurar a disponibilidade, junto de vários parceiros, de estruturas portuárias para a operação de transbordo do material químico transportado a partir da Síria num navio dinamarquês para um navio norte-americano».

O material começou a sair da Síria em 7 de janeiro, no âmbito de um acordo sobre o desmantelamento do arsenal de armas químicas do regime de Damasco.

Já esta quarta-feira a Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ), envolvida no programa de desarmamento químico na Síria, desconhece qualquer transbordo de químicos em Portugal, afirmando que a operação decorrerá num porto italiano ainda não identificado.

«Não posso confirmar nem negar o que o Governo português anunciou. É a primeira vez que ouço isso. Tudo o que eu sei é que o navio americano se encontraria com o navio dinamarquês, e possivelmente um norueguês, num porto em Itália, que aparentemente será identificado amanhã [terça-feira]», disse à Lusa por telefone o diretor de relações públicas da OPAQ.

Michael Luhan acrescentou que a organização e os países envolvidos na operação de retirada e destruição das armas químicas sírias estão a divulgar o mínimo de informação possível sobre os movimentos da operação, por motivos de segurança.