Os deputados da Assembleia da República aprovaram, esta terça-feira, a ida ao Parlamento do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, e do Chefe de Estado Maior do Exército, Rovisco Duarte. As audições prendem-se com o roubo de armamento e explosivos do paiol de Tancos.

O chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte, vai ser ouvido na comissão parlamentar de Defesa Nacional na próxima quinta-feira, às 18:00, Segundo adiantou fonte parlamentar à agência Lusa.

O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, será ouvido sexta-feira à tarde, disse hoje à agência Lusa o deputado Marco António Costa, presidente da respetiva comissão parlamentar.

Os deputados coincidiram em classificar como "muito grave" o furto de material de guerra, em Tancos, detetado na passada quarta-feira, afirmando esperar que ambas as audições possam realizar-se ainda na presente semana.

A audição ao ministro da Defesa deverá decorrer à porta aberta, mantendo-se a possibilidade de fechar a reunião à comunicação social se surgir algum motivo que o justifique.

Na reunião, o deputado do PSD, Bruno Vitorino, considerou que o furto nas instalações militares de Tancos é uma situação "sem paralelo" que afeta a credibilidade do país e que configura uma tipologia de crime "muito complexa com consequências inimagináveis".

Bruno Vitorino assinalou que "há dúvidas do ponto de vista político", considerando que o ministro "não desconhecia" a situação de fragilidade "já identificada na defesa dos Paióis" de Tancos.

O deputado criticou duramente o ministro da Defesa afirmando que "a cada dia que passa há mais dúvidas e os esclarecimentos são nenhuns".

O furto foi também classificado como um caso de "enorme gravidade" pelo PS. O deputado socialista José Miguel Medeiros disse que a situação exige "todas as explicações, o apuramento de tudo o que se passou e a garantia de que foram tomadas todas as medidas necessárias para que não se volte a repetir".

Sugerindo que a audição do general Rovisco Duarte fosse realizada em primeiro lugar - sugestão acolhida por todos os grupos parlamentares - Miguel Medeiros defendeu que as audições devem ocorrer "esta semana". "Esta é a prioridade do país", disse.

BE quer "mais informações"

No Parlamento, o Bloco de Esquerda aguarda por “mais informações” e pela audição do ministro da Defesa sobre o furto de armas em Tancos para ter uma “opinião mais fechada” sobre responsabilidades políticas, disse hoje o líder parlamentar.

Em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República, Pedro Filipe Soares afirmou que o que aconteceu “foi extremamente grave, há responsabilidades políticas que devem ser retiradas deste processo”, mas aguarda “mais informação para avaliar”.

Aguardamos pelos esclarecimentos do ministro da Defesa, em comissão, para poder depois formular opinião mais fechada sobre as responsabilidades políticas”, acrescentou.

Os bloquistas, segundo Pedro Filipe Soares, querem que tanto o inquérito do Governo como do Ministério Público, anunciado esta terça-feira, sejam rápidos e que todas as hipóteses devem ser “equacionadas e investigadas”.

Não deixaremos nenhuma responsabilidade por assacar”, prometeu o líder parlamentar do BE.

Do lado do PCP, o deputado António Filipe defendeu que a gravidade do furto demonstra "o estado de degradação a que as Forças Armadas foram conduzidas".

É preciso apurar tudo o que for possível apurar e refletir sobre a situação de pauperização a que chegaram as Forças Armadas", defendeu, acrescentando que é preciso "refletir sobre as medidas a tomar para que situações enxovalhantes como esta não aconteçam".

Contenção aos oficiais

No parlamento, o presidente da comissão parlamentar de Defesa Nacional, o social-democrata Marco António Costa disse também compreender a "revolta" sentida por "muitos oficiais" mas apelou para que "sejam contidas" todas as manifestações e que "se tomem cuidados" para não transmitir uma imagem de instabilidade.

Compreendo que haja da parte de muitos senhores oficiais das Forças Armadas um sentimento de alguma apreensão e até revolta. Os acontecimentos têm-se sucedido sem uma explicação lógica entre si, mas o parlamento contribui sempre de forma serena e responsável para a manutenção de uma ordem institucional absolutamente impecável", afirmou.

Marco António Costa defendeu que "nunca se perca de vista que as Forças Armadas são um símbolo importante da unidade do Estado português", devendo-se "tomar todos os cuidados nas iniciativas, quer estejam no ativo quer estejam na reserva, de forma que não se transmita uma imagem de instabilidade".

Peço por isso e apelo a que sejam contidas todas as manifestações, que se aguarde, que o senhor Presidente da República e o Governo conduzam com a responsabilidade institucional que cabe a cada um este assunto que é da máxima gravidade", disse.