O Tribunal Judicial de Barcelos condenou esta terça-feira, a penas entre os 16 e os 20 anos de prisão, os três principais arguidos num processo por assaltos à mão armada a residências naquele concelho e em Ovar e Águeda.

Um dos arguidos é um antiquário do Porto, o qual, segundo o tribunal, teria como função selecionar os alvos, de acordo com os conhecimentos que tinha do mercado de arte.

Foi condenado a 16 anos de prisão, por cinco crimes de roubo agravado, um dos quais na forma tentada, um crime de falsificação de documento e um crime de usurpação de funções.

Pelos mesmos crimes, um outro arguido foi condenado a 20 anos de prisão, já que quando cometeu o primeiro assalto tinha saído da cadeia há um mês.

Também pelos mesmos crimes, o tribunal aplicou 19 anos e meio a um outro arguido.

Segundo o tribunal, aquele grupo agia sempre com grande violência, usando caçadeiras e pistolas, e atacava durante a noite, sobretudo em casas abastadas, para roubar dinheiro, obras de arte e objetos em prata e ouro.

Antes dos assaltos, faziam vigilância às casas, para se inteirarem das rotinas dos proprietários.

Os assaltos registaram-se entre abril e setembro de 2013, tendo o primeiro ocorrido em Carvalhal, Barcelos.

À chegada à sua residência, a 14 de abril, um homem de 60 anos foi atacado por três indivíduos, que o obrigaram a abrir os cofres, num assalto que terá rendido perto de 200 mil euros.

O dono da habitação foi trancado na casa de banho.

Posteriormente, os assaltantes haveriam de regressar à mesma residência, tentando fazer-se passar por agentes da autoridade, mas dessa vez não conseguiram roubar nada.

Nos outros assaltos, em Ovar e Águeda, as vítimas foram amordaçadas e acorrentadas.

Para a medida das penas, o tribunal sublinhou a «violência» utilizada, o facto de cada assalto ter demorado entre 30 a 45 minutos e a escolha de vítimas com especial vulnerabilidade.

Os antecedentes criminais dos arguidos, a sua atuação sempre em grupos de 3 ou 4 e os «muito elevados» valores roubados foram outros fatores que pesaram nas penas.

No processo, eram ainda arguidos mais três homens, mas que participaram em menos roubos, pelo que «apanharam» penas de 8 anos e 8 meses de prisão, 5 anos e 6 meses e 5 anos, neste último caso suspensa.

Duas mulheres foram condenadas a penas de multa por crimes de auxílio material, pela disponibilização de uma garagem para guardar algum do material roubado, e falsidade de testemunho.

Os arguidos terão ainda de indemnizar as vítimas pelos danos patrimoniais e não patrimoniais provocados pelos crimes, num montante global que ultrapassa os 400 mil euros.

O antiquário e outros dois elementos do grupo foram detidos pela Polícia Judiciária em setembro, altura em que foram realizadas cinco buscas domiciliárias no Porto e na Maia.