Vinte dos 58 arguidos do grupo de motociclistas Hells Angels foram ouvidos esta sexta-feira pela juíza do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, mas não prestaram declarações sobre os factos que lhes são imputados pela acusação.

O interrogatório judicial terminou esta sexta-feira pelas 20:40, sendo retomado no sábado pelas 09:00 no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa com outros 30 arguidos.

A juíza Maria Antónia Andrade decidiu dividir o primeiro interrogatório judicial por três dias, estando previsto que no sábado comece as 09:00 e termine às 20:00 para recomeçar no domingo novamente às 09:00.

Segundo fonte da defesa, poucos são os arguidos que vão prestar declarações sobre os factos de que estão indiciados, nomeadamente associação criminosa, tentativa de homicídio, roubo, ofensa à integridade física e tráfico de droga.

Dos 20 arguidos presentes à juíza de instrução esta sexta-feira nenhum prestou declarações sobre os factos que lhes foram imputados pelo ministério público, segundo várias fontes da defesa. Fonte do tribunal disse aos jornalistas que dois desses 30 arguidos que serão ouvidos no sábado manifestaram interesse em falar sobre os factos.

Vários advogados disseram estar inclinados para que as medidas de coação a aplicar sejam privativas da liberdade, tendo em conta as concentrações de motociclistas que se realizam este mês em Faro e em agosto em Góis.

Um dos advogados presentes nas diligências disse aos jornalistas que o processo é composto por mais de quatro mil páginas.

Um 59.º elemento encontra-se detido na Alemanha.

A investigação do caso Hells Angels foi elaborada pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal e pela Unidade Nacional Contra-terrorismo da Polícia Judiciária e os mandados de busca e de detenção foram executados na quarta-feira.

Advogado de cinco arguidos critica declarações da PGR

O advogado Correia de Almeida, defensor de cinco arguidos detidos no processo Hells Angels, criticou as declarações da Procuradora-Geral da República sobre este caso.

No dia de hoje, em que se está a decidir medidas de coação, produzir declarações bombásticas, de que estamos perante uma organização internacional e crimes de segurança, [parece-me que] a senhora procuradora não deve estar a referir-se a este processo”, afirmou Correia de Almeida à saída do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa, onde deverá terminar pelas 20:00 o primeiro dia de interrogatórios.

A procuradora-geral da República (PGR), Joana Marques Vidal, considerou hoje que o tipo de criminalidade do processo Hells Angels, com conexões internacionais e ligações a outras redes de criminalidade, deve "preocupar toda a gente" e não apenas as autoridades judiciárias.

Segundo o advogado, a promoção do Ministério Público (MP) no processo, que levou à detenção de 59 arguidos relacionados com o grupo 'motard' Hells Angels, é uma participação em rixa entre dois grupos (em março, num restaurante no Prior Velho, Loures, Lisboa), embora qualificado de forma diferente.

Para Correia de Almeida “o MP esquece-se que não é o defensor da acusação, mas o garante da legalidade. Estamos numa fase de apreciação indiciária e estas declarações eram perfeitamente evitáveis”.

Para o defensor dos cinco arguidos, que não prestaram declarações sobre os factos pelos quais estão indiciados, não há provas no processo dos crimes pelos quais foram detidos.