Três de dez arguidos negaram esta segunda-feira, em tribunal, ameaças de morte a árbitros e elementos da PSP num jogo de futebol de juvenis em 2012, na Lagoa, Açores, mas um admitiu que possa ter dado "acidentalmente" um pontapé no árbitro.

Este caso, que começou esta segunda-feira a ser julgado em Ponta Delgada, ocorreu a 24 de novembro de 2012 durante um jogo de juvenis - 2.ª fase - entre as equipas do Clube União Micaelense e o Clube Operário Desportivo, a contar para o campeonato da ilha de São Miguel, no Campo de Jogos da Lagoa. Na altura, o Operário, equipa local, perdeu o jogo por uma bola.

No início do julgamento, cinco dos dez arguidos acusados de ameaças e injúrias a polícias e árbitro, optaram por não prestar declarações, enquanto um outro (antigo treinador da equipa sénior do Operário) não compareceu em tribunal, sendo representado pelo advogado.

O delegado do jogo da equipa de iniciados do Operário, um dos arguidos, acusado de ter dado um pontapé na perna esquerda do árbitro, provocando-lhe um hematoma, disse que “tentou acalmar os ânimos” e “nunca dirigiu a palavra” ao árbitro.

“Nunca foi minha intenção agredir ninguém. Não é a minha forma de estar no desporto, tanto mais que trabalho com jovens. Se dei um pontapé foi acidentalmente”, declarou, garantindo que após os alegados incidentes, tentou “por duas a três vezes falar com o árbitro para tentar pedir desculpa" mas "nunca conseguiu".


Uma versão contrariada pelo árbitro, que garante ter sido agredido pelo arguido, frisando que “em 11 anos de arbitragem nunca” tinha vivido uma situação como a do jogo em causa e que, “para mais", tratava-se "de um jogo de crianças de 15 e 16 anos”.

O ofendido, que pede uma indemnização de 2.000 euros, afirmou ainda que foram dirigidos "vários insultos, ameaças e injurias" à equipa de arbitragem e aos agentes da PSP e que foi necessário "escolta policial" para sair do recinto.

“Foi tudo muito complicado, mesmo com muita polícia, que acabou por vir. Senti que as coisas estavam fora do controlo da PSP quando estávamos no balneário. As pessoas pontapearem as portas. Tivemos alguns minutos de terror”, sustentou, frisando que teve fe se deslocar ao hospital.


O árbitro disse ainda que aceitava "o pedido de desculpa", mas não desiste da queixa, lembrando que na altura "os dirigentes e o clube foram sancionados a nível desportivo".

Um outro arguido, antigo treinador e ex-jogador, admitiu ter dirigido algumas palavras ofensivas ao árbitro, mas "já pediu desculpa e "nunca ameaçou ninguém".

O arguido salientou que "a troca de palavras" acaba "por ser normal no futebol".

O delegado do jogo na altura dos factos, e arguido no processo, justificou a sua “entrada no campo” com “o intuito de não ser” aplicada “qualquer sanção disciplinar tal era a confusão”.

“A minha postura foi sempre de apaziguar os ânimos”, sustentou, garantindo também que não ameaçou um agente da PSP.


Ouvidos em tribunal, agentes da PSP confirmaram "ameaças de morte" ao árbitro e a colegas da polícia.

Um agente, chamado na altura ao local para o reforço da segurança, disse ter sido "agarrado" por um arguido e "ameaçado de morte" por outro.

Foi também confirmado em tribunal, por um agente da PSP, "o uso de gás pimenta para dispersar o ajuntamento de pessoas".

Ao local foi chamada "uma equipa de intervenção rápida da PSP que escoltou a equipa de arbitragem para que esta pudesse sair em segurança", situação confirmada em tribunal pelos agentes da polícia.