João Poeiras, um dos cinco bombeiros que ficou ferido no despiste de viatura no combate aos incêndios em Arganil, no passado mês de outubro, diz que não recebeu nenhum apoio desde o acidente. Em entrevista ao programa SOS da TVI24, o operacional diz que "é triste" estar nesta situação.

Até à data de hoje ainda não recebi nenhum dos valores, o que é triste. Damos o nosso corpo para ajudar as pessoas e no fim, quando  temos estes acidentes, ninguém nos ajuda. [Tem sido] Tudo ao meu cargo. O meu ofício foi sempre mecânico de automóveis, mas agora estou desempregado. Sinto-me um bocado triste porque eu estou a passar dificuldades, tenho filhas, e o único ordenado que entra em casa é o da minha mulher. É triste".

O bombeiro, que tem cinco costelas partidas e uma lesão no ombro, está desempregado há quase dois anos e não consegue procurar trabalho devido à incapacidade física. 

João Poeiras acusa ainda o Estado de não apoiar os bombeiros, mas garante que, apesar de todos os contras, não vai desistir.

Apesar de estar a falar por mim, também posso falar pelos meus camaradas de outras cooperações: eu acho que o Estado devia dar mais valor ao nosso trabalho, porque o nosso trabalho é digno e não esta a ser valorizado. É [um sentimento de revolta]. A gente devia ser mais ajudada pelo nosso trabalho".

Na entrevista ,o bombeiro contou ainda como tudo aconteceu no dia do acidente.

Fomos destacados para o de Pampilhosa da serra, passámos lá a noite. De manhã, quando nos preparávamos para ir para o outro tal incêndio, a gente começou a descer a serra ficámos sem travões e pronto, aquilo é curvas contracurvas. O nosso azar é que na berma, do lado direito, estava um vale mais fundo e foi aí que partimos a viatura toda. Eu senti logo o estalo nas minhas costelas, não conseguia respirar. Ainda tive tempo de sair da viatura. Antes de eu sair, saiu um camarada nossa para desligar logo o corta corrente, a seguir saí eu e depois começaram a sair os outros. Eu ainda consegui subir para a estrada, quando cheguei à estrada tive de me deitar porque eram umas dores insuportáveis e não aguentava mesmo".

João Poeiras foi então transportado de helicóptero para o hospital de Coimbra onde permaneceu dois dias, tendo depois sido transportado para o hospital de São Francisco Xavier.

Tive mais duas noites no São Francisco Xavier porque não havia vagas no Egas Moniz. Só passado dois dias é que fui transferido para o Egas Moniz e estive lá até ter alta. Neste momento tenho cinco costelas fraturadas e tenho uma lesão no ombro direito."

A 18 de novembro a TVI noticiou que os cinco soldados da Paz de Paço de Arcos que tiveram o acidente em Arganil estão sem receber o ordenado por inteiro por causa dos ferimentos e vivem de ajudas.