Por: Redacção / AB | 5- 11- 2009 16: 44
Os movimentos independentes de professores estão descontentes com a posição do Governo no que respeita à avaliação dos
professores, considerando que a pacificação da escola passaria pela imediata suspensão do modelo de avaliação, avança a Lusa
esta quinta-feira.
«A primeira reacção é de grande decepção ao discurso do primeiro-ministro no que se refere à avaliação
dos professores, que denota uma clara obstinação em manter o actual modelo», disse à Lusa o porta-voz do movimento Escola
Pública, João Madeira.
Para este professor seria «elementar» suspender o modelo de avaliação escolhido pelo Governo,
bem como «uma abertura clara» sobre a revisão da carreira para acabar com a divisão dos professores em duas categorias.
Ilídio
Trindade, do Movimento Mobilização e Unidade dos Professores, explica que «o primeiro-ministro devia ter percebido que enquanto
não pacificar a escola pública, resolvendo as questões que estão na base da instabilidade nas escolas, dificilmente poderá
resolver outros problemas que afectam a sociedade», afirmou.
«Imposição de ideias»
«Fala em diálogo,
mas já todos percebemos que é a imposição das suas ideias. O diálogo não passa de uma palavra vã», afirmou o professor.
«O
que nasce torto, tarde ou nunca se endireita», o presidente da associação, Ricardo Silva, para quem o modelo em vigor «não
tem qualquer credibilidade» para servir de base a uma negociação.
Ricardo Silva esclarece ainda que «as declarações
do primeiro-ministro apenas constituem um finca-pé para não dar a face. Era fundamental começar do zero.
«O modelo
de avaliação assenta em critérios economicistas e de punição dos professores. Não premeia nada, nem melhora as práticas. É
um modelo burocrático que tem de ser eliminado», explicitou.
«Governo está disponível para aperfeiçoar a avaliação»
O
primeiro-ministro anunciou esta quinta-feira, no Parlamento, que o Governo está disponível para «melhorar e aperfeiçoar a
avaliação dos professores, mas não para «destruir», dizendo que a ministra da Educação, Isabel Alçada, tomará de imediato
a iniciativa do diálogo com os sindicatos.
Já a ministra afirmou que não há nenhum aspecto do Estatuto da Carreira
Docente e da avaliação de desempenho que não possa ser alterado, manifestando-se confiante de que é possível encontrar «em
breve» uma solução.
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