Os incêndios que fustigam Portugal, França e Itália, atingidos por um período de seca, podem aumentar no futuro devido, nomeadamente, às alterações climáticas.

Segundo um estudo europeu, as superfícies suscetíveis de se incendiarem na Europa do sul podem aumentar entre 50% e mais de 100% durante o corrente século, em função da intensidade do aquecimento global.

Uma especialista em clima do serviço de meteorologia francês, Michèle Blanchard, assinalou que as alterações climáticas podem "aumentar a duração e a gravidade da estação dos fogos, as zonas de risco e a probabilidade de grandes incêndios", como os que sucedem em Portugal, França e Itália.

De acordo com a climatóloga, o aquecimento do planeta vai provocar "mais vagas de calor, e calor mais elevado", com repercussões no solo e na vegetação, que ficarão mais secos.

No futuro, devido ao aquecimento global, vamos ter períodos de seca mais acentuados, especialmente no verão", afirmou Michèle Blanchard, citada pela agência AFP.

Portugal, Itália e França (com exceção da ilha da Córsega, onde um incêndio levou hoje à retirada de mais de dez mil pessoas de habitações) tiveram, este ano, um inverno com menos 20% a 30% de chuva do que o normal.

Em junho, quase 80% do território de Portugal continental encontrava-se em seca severa e extrema, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

Um estudo de 2014 sobre as consequências das alterações climáticas em Portugal revelou que as temperaturas subiram mais do que média mundial nos últimos 50 anos, gerando vagas de calor mais frequentes e períodos de chuva anuais inferiores.

Um outro estudo, de maio, e cuja primeira autora é a especialista em hidrologia e alterações climáticas Selma Guerreiro, da universidade britânica Newcastle, concluiu, com base em modelos climáticos representativos, que Portugal e Espanha podem ser atingidos até 2100 por 'megasecas', períodos de seca de dez ou mais anos.