O catamarã, com 840 quilos de cocaína a bordo e cuja droga foi apreendida pela Polícia Judiciária (PJ), tem pavilhão francês e foi localizado a 150 quilómetros do grupo central dos Açores, revelou hoje um diretor daquela polícia.

A embarcação de recreio, em fibra e que tinha a bordo dois homens e duas mulheres, foi encaminhada para na marina da cidade da Horta, na ilha do Faial, onde foi alvo de busca.

A cocaína, avaliada em quase 36 milhões de euros, estava dissimulada em cinco compartimentos da embarcação que partira das Caraíbas com destino à Europa.

Artur Vaz, diretor da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) realçou que esta importante apreensão ao largo do arquipélago dos Açores teve a colaboração da Força Aérea e da Marinha portuguesa e do MAOC-N (Maritime Analysis and Operations Centre - Narcotics’) uma agência internacional com sede em Lisboa que coordena o combate ao tráfico de droga em sete países europeus.

A operação, que necessitou da intervenção de uma embarcação costeira, teve ainda a colaboração da Polícia Marítima da Horta, Açores.

Antes da apreensão, o catamarã foi vigiado a grande distância pela Força Aérea (FA) por meios eletrónicos e sensores que permitem aos militares não serem avistados pela embarcação. Não foi divulgado o tipo de avião utilizado pela FA portuguesa.

O responsável da PJ não indicou qual seria o destino final da droga no continente europeu, nem precisou a nacionalidade dos quatro ocupantes detidos - dois homens e duas mulheres -, mas adiantou que são "todos europeus" e que, após interrogatório judicial, apenas os homens ficaram em prisão preventiva.

Os detidos têm idades entre os 21 e 36 anos e ao serem descobertos não ofereceram qualquer tipo de resistência, de acordo com o diretor da UNCTE.

Artur Vaz admitiu que, embora o catamarã tenha partido das Caraíbas, a cocaína só poderá ser proveniente de um de três países sul-americanos - Colômbia, Bolívia ou Peru -, observando que os narcotraficantes utilizam as Caraíbas para tentar fazer chegar aquela droga aos Estados Unidos e à Europa.

Além da droga e da embarcação, foram também apreendidos diversos aparelhos de navegação e comunicação por satélite, telemóveis, ‘tablets’, um computador, quantias monetárias e documentação diversa.

Segundo informação publicada no ‘site’ da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL), “a prisão preventiva foi determinada judicialmente por ter sido dado como fortemente indiciado a prática por aqueles do crime de tráfico de estupefacientes agravado e por se verificarem, em concreto, os perigos de fuga e de continuação de atividade criminosa”.

A investigação prossegue sob a direção do Ministério Público na Horta com o apoio da PJ e em cooperação com as autoridades de outros países.