Inspetores da ASAE apreenderam 590 quilogramas de meixão, jovens enguias que são espécie protegida, com um valor superior a um milhão de euros, numa operação realizada em Aveiro, na terça-feira.

O Instituto de Conservação da Natureza (ICNF) anunciou que a operação culminou na apreensão de mais de 480 quilos de meixão vivo, a somar a 110 quilos de meixão congelado.

Trata-se, segundo o comunicado da ASAE,  da maior apreensão de sempre em Portugal daquela espécie.

Foram apreendidos, nas buscas de ontem, 598 kgs de meixão, 4 computadores, 8 telemóveis, 2 tablets e todos os artigos utilizados na preparação, manutenção e expedição do meixão vivo: 149 malas de viagem, 1 bomba de limpeza, 39 tanques, 7 balanças, 17 camaroeiros, 56 redes, 30 compressores, 5 arcas de congelação, 21 rolos de tela de isolamento térmico, 160 sacos de plástico duplo (específico para injeção de oxigénio/ar), 3 garrafas de ar comprimido e uma rede de pesca de meixão", salienta o comunicado.

A ASAE salienta ainda terem sido apreendidas nas buscas, "uma arma de fogo (caçadeira) com 131 munições (calibre 12) e cerca de 32 mil euros em numerário".

Rede desmantelada

Esta última operação da ASAE concluiu uma investigação "projetada em Outubro de 2017, na sequência de informações policiais sobre o tráfico de meixão em Portugal".

Ao longo dos meses (entre Novembro e Março), foram feitas 26 detenções de cidadãos de origem asiática, nos aeroportos de Lisboa e Porto (em colaboração com a Autoridade Tributária e Aduaneira), pelo crime de danos contra a natureza, tendo sido apreendidos, no total, cerca de 390 kgs, desta espécie protegida pela Convenção CITES", lembra o comunicado.

Na sequência dessas detenções, foi desenvolvida "uma investigação a nível nacional, durante os últimos quatro meses, culminando, ontem, em Aveiro e Coimbra, na realização de 18 mandados de busca a elementos que se creem ser integrantes de uma rede organizada"

Recorrendo à pesca ilegal da enguia bebé (que ocorre em vários pontos do país), aglomeravam, preparavam e enviavam meixão para o Oriente, onde o valor pode ascender até aos 10 mil euros por quilo", salienta o comunicado da ASAE.

Na execução dos mandados, "dois cidadãos asiáticos, que já tinham sido detidos nos aeroportos, por servirem de «correios», foram novamente detetados na posse da espécie protegida, no armazém gerido pela rede".