A Associação de Professores de Matemática (APM) lançou uma petição pública para suspender a aplicação do novo programa de Matemática do ensino secundário, a ter efeitos já a partir de 2015-2016. O argumento é que o programa é «impraticável e um retrocesso».

Uma das principais preocupações com o cumprimento do novo programa prende-se com a descontinuidade e a rutura que vai representar na forma de ensinar e aprender Matemática para os alunos que chegarem ao 10.º ano, no próximo ano letivo, explicou à Lusa a presidente da APM, Lurdes Figueiral.

De acordo com a responsável da APM, o programa do ensino secundário que vai entrar em vigor pretende ser uma linha de continuidade em relação ao programa da disciplina para o ensino básico de 2013, com o qual os alunos que chegarem ao ensino secundário, no próximo ano letivo, não tiveram qualquer contacto: «Isto não faz qualquer sentido, independentemente das nossas discordâncias face ao próprio conteúdo do novo programa».

A presidente da APM revelou que a petição, lançada na terça-feira, tem recolhido o apoio também de pais e encarregados de educação, que se manifestam nas redes sociais contra a aplicação do programa.

Sobretudo porque, «sendo a Matemática A uma disciplina fortemente selecionadora dos alunos», os pais estão preocupados com o impacto da mudança na avaliação e nas notas dos exames nacionais, numa disciplina que muitas vez determina o acesso ou exclusão de muitos cursos, por diferenças decimais.

Lurdes Figueiral reafirmou as críticas à extensão, ao grau de abstração e à abordagem patente no novo programa, que introduz conteúdos lecionados no ensino superior. «É um programa para matemáticos, criado de um ponto de vista do ensino superior e que representa um retrocesso até aos anos 50, a uma abordagem extremamente formalista e teórica, que se distancia da aplicação da Matemática ao dia-a-dia», criticou.

A petição conta, para já, com cerca de 300 assinaturas. A APM admite que não espera «resultados favoráveis» da discussão na Assembleia da República, «nesta legislatura e com este Governo», esperando uma mudança de atitude com um próximo executivo.

No texto da petição pública, a APM refere, em relação ao programa a entrar em vigor em 2015/2016, que «tais conteúdos e abordagens não têm paralelo em currículos de outros países, tidos como de referência, e foram abandonados há décadas pelos maus resultados a que conduziram». A APM quer não só a suspensão da aplicação do programa em 2015-2016, como uma avaliação ao trabalho desenvolvido e aos resultados obtidos com o programa ainda em vigor, admitindo que lhe possam ser feitos ajustes.