O Ministério Público tentou esta terça-feira, pela segunda vez, incluir nos autos do «caso do envelope» do «Apito Dourado» certidão de declarações de Ana Maria Salgado, irmã-gémea de Carolina, pretensão que suscitou protestos das defesas e que a juíza rejeitou, refere a Lusa.

O procurador José Augusto Sá apresentou, no início da sessão da tarde deste quinto dia de julgamento, um fax com declarações prestadas por Ana Salgado, em inquérito da Procuradoria-Geral da República, às 00:30 do passado 04 de Março e às 16:00 do último dia 06, pedindo a sua junção aos autos.

O fax, segundo explicou o próprio procurador, chegou ao Ministério Público (MP) de Gaia às 13:25 de hoje.

De manhã, a juíza já tinha indeferido pretensão similar, assim como a audição em tribunal de Ana Salgado, com o argumento de que «não resulta da prova até agora produzida que a testemunha tivesse conhecimento directo dos factos em julgamento neste processo».

A defesa de Pinto da Costa - que tinha indicado Ana Maria Salgado como sua testemunha e que veio a prescindir do depoimento - protestou pela insistência do MP, exarando um «veemente protesto pela violação das regras da probidade processual».

No mesmo tom, a defesa do árbitro Augusto Duarte classificou de «ínvia» a insistência do MP, manifestando «repúdio» por este acto processual.

O procurador José Augusto Sá rejeitou as expressões críticas usadas pelos causídicos, considerou que a actuação do MP é «séria e honesta».

As críticas - precisou Gil Moreira dos Santos - dirigiam-se ao MP, enquanto hierarquia, pela forma como se comportou nas diversas fases deste processo.

Também à tarde foi ouvida a testemunha de defesa de Augusto Duarte - o seu pai, Azevedo Duarte - num depoimento prestado à porta fechada, já que as declarações poderiam lesar a sua imagem e a de terceiros.

O procedimento é similar ao adoptado segunda-feira na audição do árbitro Augusto Duarte.

Entretanto, o Tribunal de Gaia marcou para sexta-feira as alegações finais do «caso do envelope», no âmbito do mega-processo «Apito Dourado».

As alegações finais serão adiadas se até essa data não chegar ao tribunal o relatório social.

O processo do «caso do envelope» reporta-se ao encontro Beira-Mar-FC Porto (0-0), da 31.ª jornada da Liga de 2003/04, realizado em 18 de Abril.

O presidente do FC do Porto, Pinto da Costa, e António Araújo, um empresário de futebol, estão pronunciados pelo crime de corrupção desportiva activa e ao árbitro Augusto Duarte é imputado o crime de corrupção desportiva passiva.

O processo é um apêndice do mega-processo «Apito Dourado» e tem como génese casos de alegada corrupção e tráfico de influências no futebol profissional e na arbitragem portuguesa.