A Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) lamentou esta segunda-feira que o ministro da Administração Interna tivesse considerado «inaceitável» a subida das escadarias do Parlamento, na manifestação de polícias da passada quinta-feira, alegando que tal não se repetiria.

Em comunicado, a APG/GNR classifica de «intimidatórias» as afirmações feitas pelo ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, e contrapõe que, para o ministro, garantir que tal situação não voltará a ocorrer «é porque o Governo vai recuar nos cortes que pretende aplicar aos profissionais das forças e serviços de segurança».

Segundo a APG/GNR, as declarações do MAI revelam uma «profunda falta de respeito pelos profissionais» da GNR, optando o ministro por «ignorar o bem-estar e os direitos dos milhares de profissionais que se manifestaram no dia 21, não apresentando qualquer sinal de abertura e fazendo cair sobre o Director Nacional da PSP culpas que são exclusivamente» da tutela.

A APG/GNR lembra que cabe à Comissão Coordenadora Permanente dos Sindicatos e das Forças de Segurança e às estruturas que a integram definir as futuras formas de luta, pelo que o Ministério da Administração Interna (MAI) terá necessariamente que considerar as reivindicações dos profissionais, caso pretenda que os protestos não se repitam.

«O Governo tem de entender que os profissionais estão determinados na seu processo de luta», diz a APG/GNR, reiterando que aqueles profissionais «não aceitam trabalhar mais, por menos dinheiro e com maior risco».

A propósito do risco, a associação lembra o ocorrido no Pinhal Novo, em que um profissional da GNR foi abatido no interior de um estabelecimento comercial, no fim de semana, após sequestro de várias pessoas mediante ameaça de arma de fogo.

«Não deixa de ser justo registar que, sobre este profissional da GNR falecido em serviço, nem o ministro da Administração Interna nem o comandante-geral tiveram uma palavra a dizer sobre a perda desta vida humana», critica a APG/GNR.

A APG/GNR aproveitou para reiterar as suas condolências à família do GNR falecido no cumprimento do dever e exige que o Governo recue nas medidas desastrosas que pretende aplicar na segurança pública, demonstre respeito pelos profissionais, reconheça o elevado mérito da sua profissão e garanta o direito dos cidadãos à segurança pública.

Milhares de polícias manifestaram-se na quinta-feira em Lisboa e, depois de derrubarem uma barreira policial, conseguiram chegar à entrada principal da Assembleia da República, onde cantaram o hino nacional e depois desmobilizaram voluntariamente.

A Inspeção-Geral da Administração Interna abriu um processo de averiguações aos acontecimentos ocorridos na manifestação da passada quinta-feira junto à Assembleia da República, disse hoje à Lusa a responsável deste organismo, a inspetora-geral Margarida Blasco.