O Conselho Nacional da Associação de Oficiais das Forças Armadas considera que o assalto aos paióis de Tancos exige “uma inequívoca assunção de responsabilidades pela tutela”, refere um comunicado da organização.

A Associação dos Oficiais das Forças Armadas (AOFA) salienta, assim, que a situação exige a inequívoca assunção de responsabilidades pela tutela ou, em alternativa, a ponderação na continuidade do exercício do cargo”, indica o comunicado.

O Conselho Nacional da AOFA reunido terça-feira à noite, na sede nacional (Trafaria), entende que é urgente reavaliar as políticas relativas às Forças Armadas, “cumprindo a legalidade” e resolvendo “no imediato” a gravosa situação a que se "deixou chegar" a instituição militar.

A AOFA reitera que é imperativo que o Ministério da Defesa Nacional, o Governo e os restantes Órgãos de Soberania o entendam, de uma vez por todas, enquanto primeiros responsáveis pela necessidade urgente de credibilização e defesa do Estado”, indica o comunicado.

No mesmo documento, a associação sublinha que o assalto aos paióis de Tancos é um assunto de Estado que se “reveste de grande gravidade” e que deve ser investigado, assim como devem ser “definidas todas as consequências que ao caso couberem” para que situações semelhantes não se venham a repetir.

Por outro lado, a AOFA “não comenta” as questões que classifica de índole profissional operacional e de gestão interna, não se referindo diretamente à decisão do chefe do Estado Maior que decidiu exonerar temporariamente cinco comandantes.

Para a AOFA, a situação é o reflexo do estado de “elevado grau de degradação das infraestruturas” e meios afetos às Forças Armadas.

A associação especifica apontando a “crónica falta de pessoal” para o serviço e a degradação dos direitos dos militares.

Tudo tendo por causa as opções políticas de sucessivos governos, iniciadas há décadas, revestindo-se de particular saliência as questões estatutárias e orçamentais”, frisa.

O Governo vai reunir-se hoje, em Lisboa, para fazer um ponto da situação da segurança interna na sequência do furto de material militar da base de Tancos, ocorrido há uma semana.

Numa nota divulgada na terça-feira, o gabinete do primeiro-ministro informou que a reunião decorrerá nas instalações do Sistema de Segurança Interna a partir das 15:00.