O bispo de Leiria-Fátima, António Marto, defendeu esta quinta-feira “uma Igreja empenhada na construção da paz, sobretudo agora com o problema dos refugiados e dos migrantes”.

As declarações de António Marto, citadas pela agência Ecclesia, foram feitas em conferência de imprensa na manhã de hoje, a poucas horas de ser criado cardeal pelo Papa Francisco.

António Marto recordou a “surpresa” com que recebeu a nomeação cardinalícia, a 20 de maio, e disse ver nesta decisão uma “aprovação” do trabalho que tem vindo a desenvolver em Fátima.

O novo cardeal disse ser um “apoiante do Papa, apoiante da reforma que o Papa quer levar para a frente, a reforma da Igreja”.

Uma Igreja mais evangélica, menos burocrática, mais próxima das pessoas, mais acolhedora, de não exclusão, mais misericordiosa para com as situações de fragilidade, vulnerabilidade, mais atenta aos desfavorecidos, aos pobres, mais construtora de pontes”, precisou António Marto.

Segundo a agência Ecclesia, o novo cardeal disse aos jornalistas portugueses presentes no Vaticano que é necessário estabelecer pontes com uma sociedade muito “fragmentada e polarizada” e procurar “consensos fundamentais para construir uma sociedade justa e fraterna”.

No Vaticano, António Marto voltou a falar do cardinalato como um “dom a Fátima” do Papa Francisco, admitindo a necessidade de renovação de estratégias pastorais.

O bispo de Leiria-Fátima torna-se hoje no quinto cardeal português do século XXI e segundo a ser designado por Francisco.

António Marto será o único português numa lista de 14 novos cardeais hoje criados, mas o grupo inclui o principal conselheiro do Papa, o arcebispo polaco Konrad Krajewski, conhecido pela ajuda aos sem-abrigo, e o arcebispo espanhol Luis Francisco Ladaria, prefeito da congregação para a doutrina da fé.

O patriarca da igreja do Iraque, Louis Raphael i Sako, e o arcebispo de Carachi, no Paquistão, Joseph Coutts, dois países onde os cristãos são minoritários, vão igualmente ser nomeados cardeais.

O grupo inclui ainda prelados do Peru, México, Bolívia, Madagáscar, Japão e Itália.

Portugal está representado no Colégio Cardinalício por três cardeais: Manuel Clemente, patriarca de Lisboa, Manuel Monteiro de Castro, penitenciário-mor emérito, ambos eleitores para o papado, e José Saraiva Martins, prefeito emérito da Congregação para as Causas dos Santos.