O embaixador da União Europeia junto das Nações Unidas, João Vale de Almeida, disse, esta segunda-feira, desejar “a melhor sorte” a António Guterres na sua candidatura a secretário-geral da organização, que considerou ser “uma corrida difícil”.

João Vale de Almeida falava aos jornalistas no final de um encontro com o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, onde trocaram impressões sobre a situação mundial e também se falou “obviamente” sobre a candidatura de António Guterres a secretário-geral da ONU.

Eu desejo a melhor sorte ao engenheiro António Guterres naturalmente, mas temos que considerar que há uma série de candidatos”, disse, adiantando que neste momento há sete candidatos oficiais e que poderá haver mais.

O embaixador recordou que existe um novo tipo de procedimento para a seleção do secretário-geral das Nações Unidas e que as audições dos candidatos vão começar em abril, acrescentando estarem em causa questões como “a rotação geográfica” ou o género. “Há um debate forte em Nova Iorque sobre a necessidade de termos uma mulher como secretário-geral”, disse. “Portanto, ainda há um longo caminho a percorrer. Um debate que será certamente intenso, mas obviamente onde as qualidades do engenheiro Guterres serão evidentes, mas será uma corrida difícil como o próprio já o reconheceu publicamente”, disse ainda João Vale de Almeida.

O diplomata referiu que “em última análise será uma decisão do Conselho de Segurança”, órgão executivo da ONU que este mês conta com a presidência rotativa de Angola. “Angola tem feito um bom trabalho”, disse a propósito, considerando “uma demonstração do bom trabalho” o debate a decorrer hoje nas Nações Unidas sobre "Prevenção e resolução de conflitos na região dos Grandes Lagos" presidido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros angolano, Georges Chikoti, e no qual participa o chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva.

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Em relação à situação do mundo, o embaixador da União Europeia indicou ter focado na conversa com o presidente do parlamento português os “problemas levantados pelo populismo”, na Europa como nos Estados Unidos, “onde no fundo se apresentam soluções simples para problemas complexos e da necessidade de combater alguns desses argumentos que têm a ver com o protecionismo, que têm a ver com o combate à imigração, com a recusa da diferença e com a intolerância”.

Eu acho que é importante - e isso é um debate que existe nas Nações Unidas - que as forças políticas que defendem os valores dos direitos humanos, que defendem soluções moderadas para este tipo de questões se afirmem mais no debate político de forma a combater um discurso muito baseado no medo, no receio da diferença, no receio do outro, no fecho de fronteiras", adiantou.